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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Agricultura Familiar - Parte 5 - Agricultura Familiar nas regiões nordeste e sudeste

Adilson D. Paschoal 

Professor Titular-Sênior da Esalq-USP 


Heterogeneidade do sistema familiar

Como já mencionado no artigo anterior, a agricultura familiar tem sua importância relacionada com vários fatores: absorção de emprego reduzindo o êxodo rural; produção diversificada de alimentos in natura e industrializados e de matérias-primas para consumo próprio e para venda, provendo a população com a maior parte dos alimentos que consome; alimentos de melhor qualidade biológica, com menos resíduos de insumos químicos artificiais; conservação e preservação maior dos recursos produtivos e naturais, sendo sustentáveis e mantenedoras da biodiversidade; e fonte de renda para as unidades familiares, gerando riqueza para o país. Basta recordar que 77% dos estabelecimentos agrícolas do país pertencem à agricultura familiar; que ocupa 80,9 milhões de hectares, empregando mais de 10 milhões de pessoas e que é responsável por 23% do valor total da produção do setor agropecuário, i.e., R$107 bilhões em 2017. 

Não há uniformidade na produção familiar brasileira, cada estado e grande região geográfica tendo características próprias, sendo isso natural num país continental como o Brasil. A heterogeneidade do sistema familiar tem origem nos processos históricos de ocupação e de exploração territorial que, aliados às questões culturais, socioeconômicas, climáticas e edáficas, moldaram o perfil do produtor familiar, a sua forma de produzir e o que produz. Modernamente, vemos o seu evolver no sentido de participação no agronegócio exportador de aves, suínos, café, frutas tropicais e soja. 

Brevemente, apresento as características de cada região, das mais antigas às mais recentes. 


Agricultura familiar no Nordeste

Em termos gerais, do país como um todo, o valor bruto de produção mensal por propriedade familiar é de menos da metade de um salário mínimo (0,46), o que explica a situação de extrema pobreza de muitos produtores familiares, máxime no Nordeste, onde 72% deles estão nessa categoria. 

Dados recentes do IBGE mostram estar ocorrendo êxito rural nessa região sendo que, de 2012 a 2017, o Nordeste perdeu mais de um milhão de trabalhadores rurais (de 22,4% para 16,2% no período), principalmente de pequenos agricultores, em parte devido à diminuição de financiamentos pelo Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e por fatores climáticos (Grande Seca). O número de pessoas associadas às cooperativas de trabalho ou produção também caiu, passando de 6,4% em 2012, para 5,8% em 2017. Em termos comparativos, em 2017 o Brasil tinha 11,1% da população em áreas rurais (15 milhões), assim distribuída: Norte, 18,7%; Nordeste, 16,2%; Centro-Oeste, 12,4%; Sul, 12,4% e Sudeste 6,5%. O país apresentou queda de 274 mil pessoas entre 2016 e 2017, sendo que no Nordeste a queda foi de 386 mil. Por outro lado, houve crescimento de 133 mil pessoas no Sudeste. 

Apesar de a Grande Seca que assolou a região de 2012 a 2017, e da diminuição na quantidade de estabelecimentos, a agricultura familiar predomina em todos os estados nordestinos, ocupando 74% da população envolvida em atividades agropecuárias, tendo contingente de 4,7 milhões de pessoas. Do pessoal ocupado com agropecuária familiar o Nordeste aparece em primeiro (46.6%), seguido pelo Sudeste (16,5%).

Estudo recente sobre a agricultura familiar nordestina, publicado pela Rev. Econ., NE (2020), pode-se concluir o que segue. A maioria dos agricultores familiares tem idade avançada, não é alfabetizada e não recebe assistência técnica e extensão rural. Práticas conservacionistas são raramente aplicadas e é precário o acesso à terra, à água, aos bens de capital e às tecnologias mecânicas. Minifúndios pouco produtivos predominam, inviabilizados pela seca. Os agricultores familiares destacam-se na produção de alimentos básicos sendo raras as lavouras que geram alimentos de maior valor agregado como cana-de-açúcar, soja e frutas irrigadas. Malgrado isso, a agricultura familiar foi responsável por cerca de 30% de toda a riqueza gerada no campo em 2017, o que equivale a R$ 15,8 bilhões. Porém, essa produção acha-se concentrada em pequeno grupo de agricultores (cerca de 11% do total), que produz 62% da riqueza da agricultura familiar nordestina. 

Santana do Ipanema, sertão de Alagoas. Em meio à seca de 2012, um dos poucos sertanejos que ficaram em suas terras ressequidas, apesar da “seca que racha o chão”, comenta com seu igualmente sofrido vizinho, no linguajar típico regional, trocando e por i, o por u, l por r: 

— Zé! Vendeste tudo o gadu? 

— Quais tudo! Das 64 cabeça que tinha ficaro 12. 

— Fizeste bão negócio? 

— Oxente! Troquei quais tudo pur água du caminhão pipa, num sabe? Na cheia as vaca vale 1.500 conto cada; agora se a gente acha compradô, ai aparece u rafamé pra emperriá e pagá a miséria de 300. Agora pronto! A muié mais eu tá pensando em abandoná tudo i ir simbora. O leite das vaca é poco... num dá pras criança; a parma que prantei num deu pru gasto... Da mantega só fico duas garrafa... Sobrô um poco de fejão-de-corda, macaxera e jerimum... Num dá mais pra ficá...To meio ariado... 

— Não se apoquente tanto, cumpadi. A chuva não tardeia e ocê vai podê comprá 

otra bizerrada... 

Mas a chuva não veio, e a família teve de ir para a cidade. 

A receita dos agricultores familiares provém da venda de produtos agropecuários, do trabalho não agrícola e do recebimento de benefícios da Previdência Social e do Pronaf. Em 2017, o setor familiar movimentou R$ 32 bilhões, garantia de permanência no campo. A Embrapa Semiárido, de Petrolina, PE, tem desenvolvido tecnologias mais adequadas para a região, como variedades resistentes à seca; sistemas agroflorestais, com o umbuzeiro (Spondias tuberosa) como fonte de renda; fixadores nativos biológicos de nitrogênio; cultivos integrados; captação de água das chuvas in situ; cisternas; barragens subterrâneas; irrigação; dessalinização de água; forrageiras etc. 


Agricultura familiar na região Sudeste

O predomínio histórico dessa região, desde o tempo colonial, foi a produção de bens agrícolas para exportação (açúcar, café, algodão, laranja), explorados em extensas propriedades agropecuárias. Marginalizado, desamparado e desacreditado por centenas de anos, o pequeno agricultor (atual agricultor familiar) teve mui recentemente seu valor reconhecido como responsável pelo abastecimento de grande parte dos alimentos da mesa de paulistas, mineiros, fluminenses e capixabas, deixando assim de ser “Jeca Tatu”, “Joaquim Bentinho” e “Caipira”. 

Das regiões brasileiras, o Sudeste tem a maior participação na produção agropecuária com as culturas de cana-de-açúcar, café arábica, leite de vaca e laranja. Essa participação vem caindo nas últimas décadas devido à expansão agrícola ocorrida principalmente no Centro-Oeste. 

O Censo Agropecuário de 2006 mostra que dos 892.049 estabelecimentos agropecuários do Sudeste 699.978 são de agricultura familiar (75%), a maioria localizada em Minas Gerais, com 437.415 propriedades das 551.617 existentes (79%); São Paulo vem em segundo, com 151.015 propriedades das 84.356 existentes (76%) e pelo Rio de Janeiro, com 44.145 propriedades das 58.480 existentes (75%). Relativa à área territorial dos estabelecimentos agropecuários do Sudeste (54.236.169 km²) 23% são ocupadas por agricultores familiares (12.789.019 km²), o índice percentual variando de 15% para São Paulo a 34% para o Espírito Santo. Comparando-se o número de pessoas ocupadas com a agricultura familiar com aquele da agricultura não familiar, verifica-se ser ele pouco maior para a agricultura familiar (1.799.346) do que para a não familiar (1.483.614). Do pessoal empregado em estabelecimentos agrícolas não familiares no Brasil perto de 55% trabalham na região Sudeste, principalmente em São Paulo e Minas Gerais, isso devido às culturas permanentes de café e de laranja, demandantes de muita mão de obra. 

Em 2017, a região Sudeste tinha 688.945 propriedades familiares (17,68%) valor semelhante ao da região Sul (665.767, ou 17,08%). Relativa à área, os estabelecimentos familiares do Sudeste ocuparam 13.735.871 hectares (16,98%) maior, portanto, daquela da região Sul (11.492.520 hectares, ou 14,21%).  


Nota: No próximo artigo, descreverei a agricultura familiar da região Sul, a mais desenvolvida do país, e das regiões Norte e Centro-Oeste. 


Referência: 

PASCHOAL, A.D. História Ilustrada da Agricultura. Seis séculos de agricultura no Brasil. 

Edição comemorativa dos 120 anos da Esalq e dos 200 anos da Independência do Brasil. 550 p. aprox. Em revisão, para publicação. 


terça-feira, 20 de julho de 2021

Retorno parcial ao atendimento para devoluções

 


A partir de 20 de julho de 2021, a Divisão de Biblioteca da ESALQ iniciará o retorno parcial ao atendimento para devoluções, com restrição de público e mediante agendamento por meio do link:https://bit.ly/3xZF9Ss.

O atendimento está restrito a 20% da capacidade de acesso e os funcionários estarão trabalhando em escala de revezamento, conforme diretrizes do "Plano da USP para o retorno gradual das atividades presenciais".

Entretanto, a Divisão de Biblioteca manterá o teletrabalho para todas as outras atividades oferecidas.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Agricultura Familiar - Parte 4 - Módulo Fiscal e a importância da Agricultura Familiar

Adilson D. Paschoal 

Professor Titular-Sênior da Esalq-USP 


Módulo fiscal e a propriedade rural

Módulo fiscal é uma unidade de medida introduzida pela Lei nº 6.746, de 10 de dezembro de 1979. O módulo fiscal de cada município, expresso em hectare, é determinado pelo Incra levando-se em conta os seguintes fatores: a) o tipo de exploração predominante no município (hortifrutigranjeira, cultura permanente, cultura temporária, pecuária, florestal); b) a renda obtida no tipo de exploração predominante; c) outras explorações existentes no município que, embora não predominantes, sejam expressivas em função da renda ou da área utilizada; o conceito de propriedade familiar. 

O módulo fiscal alterou alguns itens do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 30/11/1964). Seu valor expressa a área mínima necessária para que uma unidade produtiva seja economicamente viável. O número de módulos fiscais de um imóvel é utilizado no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). 

A Lei nº 8.629, de 25/2/1993, define pequena propriedade como sendo o imóvel rural de área compreendida entre 1 módulo e 4 módulos fiscais e média propriedade como sendo aquela de área superior a 4 e até 15 módulos fiscais. Área inferior a 1 módulo fiscal é minifúndio e área superior a 15 módulos fiscais é grande propriedade ou latifúndio. O tamanho de um módulo fiscal varia de acordo com a região e o município onde se localiza a propriedade. O valor do módulo fiscal no Brasil varia de 5 a 110 hectares. Exemplos: São Paulo, capital: 6 ha; Piracicaba, Campinas e Ribeirão Preto: 10 hectares; Cananeia; 16 ha; Botucatu: 20 ha; Auriflama (noroeste paulista): 35 ha. 

Dessa forma, no município de Piracicaba, áreas de 10 hectares (um módulo) a 40 hectares (quatro módulos) são consideradas pequenas propriedades, valores esses que expressam as áreas mínimas necessárias para que uma unidade produtiva seja economicamente viável. De acordo com a Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006, o tamanho máximo de uma propriedade desse município poder enquadrar-se na categoria de agricultura familiar é 40 hectares, i.e., quatro módulos fiscais. 

A área de agricultura familiar está atrelada, pois, ao conceito de módulo fiscal, não podendo, a qualquer título, ser maior do que 4 (quatro) módulos fiscais (Decreto no. 9.064, de 31/5/2017). No novo Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25/5//2012, o valor do módulo fiscal é utilizado como parâmetro legal para a sua aplicação em diversos contextos, como na definição de benefícios atribuídos à pequena propriedade ou posse rural familiar; na definição de faixas mínimas para recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APP); da manutenção ou recomposição de Reserva Legal etc. 

Com base no conceito de pequena propriedade pode-se definir agricultura familiar como sendo a forma de produção que compreende o cultivo do solo e de outros meios, realizado por pequenos proprietários rurais em área máxima de quatro módulos fiscais, com mão de obra prior outros bens e serviços, e que resida no estabelecimento ou em local próximo a ele. Em termos mais amplos inclui atividades agrícola, florestal, pesqueira, pastoril e aquícola. 


Importância da agricultura familiar no mundo

Dados de 2014 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) demonstram ser a agricultura familiar a que predomina no mundo atual, apesar do grande avanço da agricultura industrial. Das 570 milhões de fazendas do mundo 500 milhões são de agricultura familiar (87,7%), assim distribuídas: Ásia 85%; América do Norte e Central 83%; Europa 68%; África 62% e América do Sul 18%. A agricultura familiar é responsável por pelo menos 56% de toda a produção mundial agrícola, florestal, pesqueira, pastoril e aquícola. Nos Estados Unidos, as fazendas familiares geram 84% de toda a produção norte-americana, totalizando 230 bilhões de dólares, ocupando 78% das propriedades do país. No Brasil, a agricultura familiar responde por 40% da produção nacional das principais culturas, em 25% das propriedades. Agricultores familiares são os principais produtores de arroz, especialmente na Ásia. Mais de 3,5 bilhões de pessoas dependem desse cereal para prover pelo menos 20% de suas necessidades calóricas diárias. 

Segundo a FAO, nos países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina os pequenos agricultores são em geral pobres, sendo para eles recomendadas as técnicas sustentáveis e acessíveis da Agroecologia. Para muitas culturas, fazer-se agricultura em grandes áreas requer mão de obra contratada que, por sua vez, requer supervisão, cujo custo pode ser maior do que os benefícios obtidos, razão pela qual a agricultura familiar se torna mais vantajosa. As propriedades familiares são normalmente pequenas nos países em desenvolvimento (o custo da supervisão é fator limitante), empregando maior número de pessoas por hectare, que, por serem da mesma família, trabalham com maior afinco, garantindo maior produtividade do que as propriedades maiores; seu custo operacional é menor e o capital é aplicado em área menor. Nos países desenvolvidos, por outro lado, as Agricultores familiares do Sertão vivem a “seca do chão rachado” Brasil está entre os dez maiores produtores de caju do mundo fazendas familiares podem ser relativamente maiores, de custos menores, o capital podendo ser aplicado em áreas maiores. Na América Latina, assim como no Leste Europeu, a agricultura familiar coexiste com grandes fazendas de monoculturas para exportação. 


Importância da agricultura familiar no Brasil

Estudos conduzidos pela Embrapa mostram ser a agricultura familiar brasileira extremamente heterogênea, com muitos agricultores vivendo em condições de extrema pobreza, praticando agricultura de subsistência, e outros bem sucedidos, praticando agricultura de produção destinada ao mercado, tanto o convencional do agronegócio como o orgânico da agroecologia. Tais diferenças gritantes têm sua origem em muitos fatores, alguns históricos e outros regionais, culturais, políticos, econômicos e sociais. 

 A propriedade agrícola familiar é gerida pela própria família, sendo uma firma em que o produtor usa a terra como fonte de renda e de subsistência como de moradia. Por produzir alimentos e outros produtos para si e para venda as propriedades familiares são diversificadas, conseguindo com isso maior estabilidade financeira e ecológica. A venda dos produtos in natura ou processados (agroindústria familiar artesanal) ocorre diretamente na propriedade, em feiras livres e orgânicas, em cooperativas, em mercados municipais e em redes de mercado e supermercado. Tal modelo de agricultura relaciona-se diretamente com a segurança alimentar e nutricional das pessoas, impulsionando a economia local. Com a urbanização do meio rural, novos nichos de mercado têm surgido como ecoturismo, lazer, pesque e pague, criação de animais e plantas exóticos, viveiro de mudas etc. É o que vem sido chamado de Novo Rural, embora seja secular a agricultura não patronal. 



 Assim como acontece em todo o mundo, a agricultura familiar brasileira é responsável pela maior parte dos alimentos destinados ao consumo interno da população. O Censo Agropecuário de 2006 informa que: 84,4% das propriedades rurais são de base familiar e ocupam 74,4% da mão de obra do campo, compreendendo apenas 24,3% de toda a área rural do país; ser de R$ 54 bilhões (38%) a participação da agricultura familiar no valor bruto da produção nacional e de R$ 89 bilhões (62%) a participação da agricultura não familiar; a distribuição do número de estabelecimentos familiares por região indica o Nordeste como sendo o de maior número (50%), seguido pelo Sul (19%), Sudeste (16%), Norte (10%) e Centro-Oeste (5%); a distribuição da área dos estabelecimentos por região indica o Nordeste como sendo o de maior área (35%), seguido pelo Norte (21%), Sul e Sudeste (16% cada) e Centro-Oeste (12%); ser a seguinte a produção de alimentos da agricultura familiar quanto à porcentagem do total produzido: mandioca (87%); feijão (70%); suínos (58%); leite (57%); aves (50%); milho (46%); café (38%); arroz (34%); bovinos (30%); trigo (21%); soja (17%). Além desses alimentos há vários outros provenientes de hortas, pomares, criações de caprinos, ovinos, gado de corte e abelhas. 

Segundo o Censo Agropecuário do IBGE de 2017, feito em mais de 5 milhões de propriedades rurais, 77% dos estabelecimentos agrícolas do país pertencem à agricultura familiar (cerca de 3,9 milhões de estabelecimentos). Em extensão de área, ela ocupa 80,9 milhões de hectares, ou seja, 23% da área total dos estabelecimentos, empregando mais de 10 milhões de pessoas (67% do total) e sendo responsável por 23% do valor total da produção do setor agropecuário (R$107 bilhões). Do pessoal ocupado com agropecuária familiar o Nordeste aparece em primeiro (46.6%), seguido pelo Sudeste (16,5%), Sul (16%), Norte (15,4%) e Centro-Oeste (5,5%). Do valor total da produção, a maior parte provém do Sul, seguido pelo Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Os agricultores familiares destacam-se na produção de culturas permanentes, com 48% do valor da produção de café e banana; nas culturas temporárias, são responsáveis por 80% do valor de produção de mandioca, 69% de abacaxi e 42% de feijão. 


Nota: No próximo artigo é descrita a agricultura familiar nas regiões Nordeste e Sudeste. 


Referência: 

PASCHOAL, A.D. História Ilustrada da Agricultura. Seis séculos de agricultura no Brasil. 

Edição comemorativa dos 120 anos da Esalq e dos 200 anos da Independência do Brasil. 550 p. aprox. Em revisão, para publicação. 


 


Agricultura Familiar - Parte 3 - Do caipira da roça ao gestor da da unidade familiar de produção agrária

Adilson D. Paschoal 

Professor Titular - Sênior da Esalq-USP 


Terminologia

Longe vai o tempo em que o pequeno agricultor (hoje agricultor familiar), sobretudo em São Paulo, podia ser taxado de “Jeca-Tatu” (Monteiro Lobato, em “Urupês”), de “Joaquim Bentinho” (Cornélio Pires, em seus livros), de “Caipira” (Almeida Júnior, em seu quadro; do paulistano, para caracterizar os habitantes do interior) e de  “Jeca” (Amácio Mazzaropi, em seus filmes). De fato, o pequeno produtor ou produtor de subsistência, como se conhecia no passado, era o agricultor que vivia em condições precárias, alguns de extrema pobreza e ignorância. "O Jeca Tatu não é assim, ele está assim", dizia Monteiro Lobato, culpando a indiferença do poder público pelo  atraso econômico e educacional do homem do campo. Abandonado, desacreditado e ridicularizado pela forma com que conduzia a agricultura e a criação animal em suas roças, sem ter acesso ao sistema de crédito rural e à assistência técnica especializada, utilizava processos produtivos rudimentares e, por isso, não conseguia integrar-se no mercado cada vez mais competitivo, técnico e mecanizado, sobretudo depois do advento da Revolução Verde, que, no Brasil, implantou-se nas décadas de 1960 e 1970.    

Até 1995, expressões como “agricultura campesina”, “agricultura de subsistência”, “pequena produção”,  “agricultura de baixa renda”, “agricultura tradicional” e “agricultura de fundo de quintal” eram comumente usadas no país. A expressão “agricultura familiar” é, pois,  recente no Brasil. Embora seja verdadeiro que um número considerável de unidades dessa natureza esteja atualmente em condição precária no país, máxime no Nordeste, não mais se pode caracterizar a agricultura familiar atual com os atributos do passado, pois houve grande desenvolvimento dessas unidades nos últimos anos no Brasil, bem como em outros países, desenvolvidos e em desenvolvimento.                

Que é agricultura familiar? 

A definição de agricultura familiar varia entre países e contextos. A maioria reconhece o papel do trabalho familiar e o papel da família no gerenciamento da operação da propriedade rural. Contudo, o conceito vai além da capacidade, tamanho e orientação da agricultura. O termo também inclui, além do econômico, objetivos ecológicos, sociais e culturais. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) assim a define: “Agricultura Familiar é um meio de organização da produção agrícola, florestal, pesqueira, pastoril e aquícola gerida e explorada por uma família e que depende predominantemente da mão de obra familiar, tanto masculina como feminina. A família e a fazenda estão ligadas, coevolvem e combinam funções econômicas, ambientes, reprodutivas, sociais e culturais.” (FAO, 2015).  

São três as características da agricultura familiar, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra):  a) a gestão da propriedade e os investimentos nela realizados são feitos por indivíduos relacionados por laços de sangue ou de matrimônio; b) a maior parte do trabalho é fornecida pelos membros da família; e, c) a propriedade dos meios de produção pertence à família e é em seu interior que se realiza sua transmissão em caso de falecimento ou de aposentadoria dos responsáveis pela unidade produtiva. A relação entre esses três fatores diferencia a agricultura familiar das outras formas de agricultura.  

No Brasil, a agricultura familiar é definida pelo artigo terceiro da Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006. Art. 3º:  Para os efeitos desta Lei, considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos seguintes requisitos: I - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; II - utilize predominantemente mão de obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III - tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo;  IV - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. 

Observa-se no item II do artigo 3º que a lei não impede que pessoas fora aquelas da família possam trabalhar na propriedade familiar como assalariadas temporárias,  uma vez que diz utilizar “predominantemente” mão de obra da própria família. Com a modernização da agricultura familiar em regiões do país, máxime no Sul e no Sudeste, a contratação de mão de obra extra, necessária à ampliação dos negócios familiares,  permite aumentos da renda familiar e da oferta de produtos para consumo interno ou para o mercado externo. A era da produção agrícola familiar para consumo próprio, ideológica e pouco técnica no passado, está cedendo rapidamente lugar para uma forma de agricultura familiar de base econômica, com forte tendência para a observação das questões ecológicas, sociais e culturais da era atual.


        

Os benefícios da Lei nº 11.326 estendem-se também aos silvicultores que cultivem florestas nativas ou exóticas e que promovam o manejo sustentável desse ambientes; aos agricultores que explorem reservatórios hídricos com superfície total de até dois hectares ou ocupem até quinhentos metros cúbicos de água quando a exploração se efetivar em tanques-rede; aos extrativistas que exerçam essa atividade artesanalmente no meio rural, excluídos os garimpeiros e faiscadores; aos pescadores que exerçam a atividade pesqueira artesanalmente. Inclui povos e comunidades tradicionais e assentados da reforma agrária. 


Unidade Familiar de Produção Agrária (UFPA)

O Decreto no. 9.064, de 31 de maio de 2017, dispõe sobre a Unidade Familiar de Produção Agrária (UFPA), institui o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e regulamenta a Lei no. 11.326, de 2006.  

Segundo o decreto, Unidade Familiar de Produção Agrária é o conjunto de indivíduos composto por família que explore uma combinação de fatores de produção, com a finalidade de atender à própria subsistência e á demanda da sociedade por outros bens e serviços, e que resida no estabelecimento ou em local próximo a ele. Família é a unidade nuclear composta por um ou mais indivíduos, eventualmente ampliada por outros que contribuam para o rendimento ou que tenham suas despesas atendidas pela UFPA. Estabelecimento é a unidade territorial, contígua ou não, à disposição da UFPA, sob as formas de domínio ou posse admitidas em lei. Módulo fiscal é a unidade de medida agrária para classificação fundiária do imóvel, expressa em hectares, a qual poderá variar conforme o Município, calculada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária,  Incra. Imóvel agrário é a área contínua, qualquer que seja a sua localização, destinada à atividade agrária. Empreendimento familiar rural  é a forma associativa ou individual da agricultura familiar instituída por pessoa jurídica (empresa familiar rural; cooperativa singular da agricultura familiar; cooperativa central da agricultura familiar; e associação da agricultura familiar).   

        É considerada Unidade Familiar de Produção Agrária o empreendimento familiar rural que: a) possuir, a qualquer título, área de até quatro módulos fiscais; b) utilizar, no mínimo, metade da força de trabalho familiar no processo produtivo e de geração de renda; c) auferir, no mínimo, metade da renda familiar de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; e d) ser a gestão do estabelecimento ou do empreendimento estritamente familiar.  

Evolução histórica

A agricultura familiar brasileira evolveu ao longo de seis séculos, desde o inicio da colonização portuguesa, sendo marcada por três características marcantes: a grande propriedade rural, as monoculturas de exportação e a escravatura, que definiram a sua base econômica e as características de seus proprietários.  A modernização da agricultura a partir dos anos 1950 (Revolução Verde, que no Brasil se consolida nas duas décadas seguintes), a globalização e os avanços tecnológicos iniciados por volta de 1990 alteraram significativamente os padrões operacionais das unidades produtivas familiares e a relação delas com a economia, a sociedade e a natureza.  

Dentre os aspectos negativos da modernização está o êxodo rural. A mecanização do processo produtivo tornou possível que as atividades antes executadas por grande número de agricultores passassem a ser realizadas por poucas pessoas, gerando  milhares de  desempregados no campo, que não tiveram outra opção senão a cidade. Altera também a organização do trabalho familiar, pois o que era atividade de toda a família passa a ser executado por apenas uma pessoa. A modernização da agricultura e os programas excludentes de incentivos fiscais e de fomento e assistência técnica foram também responsáveis por inviabilizar a pequena produção no passado, quer pela restrita competitividade, quer pelo baixo poder de barganha (poder de decisão dos compradores sobre os atributos do produto, principalmente quanto a preço e qualidade) das propriedades familiares, obrigando muitos produtores a venderem suas terras mudando-se para as cidades ou a viverem em condições subumanas, utilizando tecnologias rudimentares e destinando grande parte da produção para o consumo familiar. 

Para uma parte dos agricultores familiares atuais a permanência no campo representa forma de resistência à modernização da agricultura, altamente técnica, poluidora e não sustentável, o que explica a adoção de práticas agroecológicas, sustentáveis por longo prazo e que permitem maior renda familiar. Para outra parte, a fixação à terra significa adaptação ao processo desenvolvimentista e globalizado, puramente econômico, razão de adotarem práticas convencionais de agricultura e de criação animal. Dentro desse grupo, há aqueles que fazem  uso de  técnicas sustentáveis visando agregar práticas conservacionistas ao aspecto econômico, como a recuperação de áreas degradadas (solo, mananciais, cobertura vegetal, flora e fauna), a integração agricultura-pecuária-floresta, o policultivo, o uso de variedades e raças resistentes e rústicas, o controle biológico, bem como de valorização cultural e social (educação, tradições, cooperativas entre outras).  

 

 Nota: No próximo artigo tratarei do módulo fiscal e da importância da agricultura familiar.  

 

Referência: 

PASCHOAL, A.D. História Ilustrada da Agricultura. Seis séculos de agricultura no Brasil. Edição comemorativa dos 120 anos da Esalq e dos 200 anos da Independência do Brasil. 550 p. aprox. Em revisão, para publicação. 


segunda-feira, 14 de junho de 2021

Agricultura Familiar. II - Parte 2. Modelo autossustentável para o agricultor familiar, desenvolvido na Esalq: instalações e resultados


Imagem meramente ilustrativa - Pixabay.com


Adilson D. Paschoal 

Professor Titular-Sênior da Esalq-USP 

Trabalho elaborado em homenagem aos 120 anos da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, e à memória de seu idealizador e criador Luiz Vicente de Sousa Queiroz, exemplo de dedicação e determinismo por uma causa que não viu concluída senão em seus sonhos. 


Instalações e resultados

Todas as construções foram feitas de alvenaria (blocos de cimento) e de madeira visando durabilidade, custo menor, conforto para as criações e facilidade para a coleta de estercos. As seguintes instalações fazem parte do projeto: dois galpões para galinhas e um para cabras; minhocário; tanque para irrigação da horta e para criação de peixes e patos; galpão para máquinas, implementos e armazenamento de ferramentas e produtos; galpão para peneira separadora de minhocas e húmus, debulhador de milho e picador de forragens; viveiro para mudas; canteiros elevados e composteira de madeira. Segue resumo das instalações e dos resultados. 


Galinheiros

Galpão para pintos e frangas: 9mx3m (3x3m e 6x3m respectivamente); galpão para poedeiras: 10mx4m. Poleiros de madeira, elevados do solo de modo a permitir coleta de esterco pelo lado de fora do galpão e maior higiene interna; ninhos para postura feitos de madeira, fechados na frente, com tampa na parte superior para a coleta dos ovos, tendo acesso nas laterais (o ambiente escuro dos ninhos acalma as aves, permitindo a retração total da cloaca após a postura, evitando que outras aves biquem a região); bebedores e comedores convencionais; piso de cimento, com cama de resíduos orgânicos (capim picado e seco), que depois de retirado é compostado. Cobertura dos galpões com telhas de barro e lona antitérmica; laterais teladas para ampla ventilação e solarização, sendo protegidas do frio e chuva por cortinas plásticas. Três pastos, com 200m² cada, completam a área dos galinheiros. 

Para a produção diária de cinco dúzias de ovos orgânicos (R$ 2.800,00 por mês ao preço atual), definiu-se o plantel como sendo de 80 galinhas e 8 galos (2m² de pasto por ave), renovável quando a postura atingisse 50% da produção máxima. Um dos plantéis da raça francesa Label Rouge produziu a média quinzenal de 960 ovos, entre maio de 1998 e novembro do mesmo ano, variando de 822 a 1.142 (cerca de 5 dúzias diárias). Cálculo preliminar da eficiência energética, i.e, a razão entre a quantidade de energia gasta para produzir e a quantidade de energia obtida na produção, resultou no valor positivo de 1,42%, mostrando ser energeticamente eficiente. Após o período de postura econômica, as aves são vendidas para abate e/ou consumidas pela própria família.

Nota: Os ovos foram comercializados na Leiteria do Departamento de Zootecnia da Esalq, revertendo o arrecadado para a manutenção da unidade.



Horta orgânica biocinética


“Biocinética” implica em movimento (rotação de culturas); daí a denominação desse modelo de horticultura orgânica desenvolvido na Esalq, cuja técnica é baseada em rotação de plantas olerícolas de famílias botânicas diferentes (para evitar danos por pragas e patógenos), de diferentes exigências nutricionais (para não esgotar o solo de macro e micro nutrientes), e de biodiversidade visando estabilidade.


O modelo compreende uma horta padrão de 1.008 m², dividida em quatro secções independentes, para a facilidade de se promover rotação das hortaliças. Cada secção tem área produtiva de 192 m², sendo formada por um canteirão (2,40m x 20m), para culturas de ciclo longo, maior do que quatro meses; cinco canteiros regulares (1,20m x 20m), para culturas com ciclo curto, igual ou menor do que quatro meses; e metade de outro canteirão (2,40m x 10m, para uma secção, e 2,40m x 10m, para a outra secção), destinado ao cultivo de adubos verdes e de essência atraentes e repelentes de pragas. Sendo modular, o tamanho da horta pode ser ampliado proporcionalmente, o que é facilitado por programa desenvolvido para computador, originalmente elaborado para a IBM do Brasil, para a sua horta orgânica junto da indústria em Sumaré, SP. 

A sequência rotacional das hortaliças foi feita de acordo com os seguintes esquemas: 1). Raízes exigentes (beterraba, rábano, mandioquinha-salsa) seguidas por folhosas pouco exigentes (cebolinha, acelga, mostarda), seguidas por recuperadoras de solo (feijões, favas, adubos verdes), recomeçando depois o ciclo; 2). Folhosas exigentes (brócolo, coentro, repolho, alface, couve, couve-flor, almeirão, espinafre, chicória, salsa, agrião, rúcula), seguidas por raízes ou tubérculos pouco exigentes (cenoura, nabo, rabaneta, batata-doce, inhame, cará), seguidas por recuperadoras de solo ou por folhosas pouco exigentes, recomeçando depois o ciclo; 3). Para canteirões: frutos exigentes (abóbora, abobrinha, pepino, berinjela, quiabo) ou frutos pouco exigentes (pimentas), seguidos por recuperadoras do solo. 

Como a maioria das hortaliças tem ciclos inferiores a 120 dias, os canteiros de cada secção são renovados a cada quatro meses, o que permite melhor planejamento rotacional e estimativa da produção. Dados obtidos apontam rendimento mensal bruto de aproximadamente R$3.200,00 (2007). 

Nota: As verduras e legumes foram comercializados nos restaurantes da Esalq, revertendo o arrecadado para a manutenção da unidade. 


Tanque para irrigação e criação

O sistema de irrigação da horta é por aspersão, sendo a água bombeada de um tanque de alvenaria de 43m³ (9m x 3m x 1,6m), também utilizado para a criação de peixes (tilápia) e de patos, para consumo da família. Um pré-tanque (1m x 3m x 1,6m), alimentado por tubulação no fundo, fornece água livre de cloro ao tanque, caindo a água em cascata para oxigenação natural, benéfica aos peixes. Um abrigo de alvenaria serve às aves. Todo o sistema é fechado por alambrado. 


Viveiro para mudas e canteiro elevado

Um viveiro de alvenaria de 4m x 4m, com irrigação por aspersores semiautomáticos, e um canteiro elevado de 20m x 2m, disposto em dois andares, para plantas medicinais herbáceas, arbustivas e arbóreas, assim como para plantas condimentares, completam o setor da horta. 


Cabril

A criação de cabras destina-se à produção de leite para consumo da família e de esterco para o minhocário. A área para a criação tem 63,5m x 14m (889m²), contendo cabril, pastos e capineira. O projeto foi desenvolvido para se ter uma cabra e cabritos da raça Saanem, produtora de 2,6 a 3 litros de leite por dia, com lactação de 9 a 10 meses (720 litros).


O cabril, de alvenaria, mede 8m x 4m, tendo abrigo e maternidade. O abrigo (4m x 3m) tem piso elevado de um metro de altura, com rampa de acesso, sendo construído de madeira com vãos para a coleta de esterco na parte de baixo e pelo lado de fora do abrigo, 
sendo equipado com manjedoura, cocho, saleiro e bebedouro. Um adulto produz cerca de 600 kg de esterco por ano. A maternidade tem 4m x 2,5m, com baia para cabra, curral de 2,5m x 2m e sala de ordenha, com cocho e bebedouro; para os cabritos há uma baia com cocho e bebedouro e curral separado de 2,5m x 2m. Os pastos de capim “cost cross” são dois, divididos em quatro piquetes para o rodízio dos animais (pastejo rotacionado), favorecendo o desenvolvimento das pastagens. Os animais também têm acesso ao pasto das aves, como já foi explicado. Pastos 1 e 2: 20m x 14m cada; capineira com cana-de-açúcar, para o inverno: 16m x 14m. 

Além de volumosos, os animais recebem milho e outros cereais da área de grãos, feijão-guandu, plantado em toda a periferia dos pastos, e sobras da horta orgânica. 


Minhocário

Foi dimensionado de forma a atender à demanda de húmus de minhoca (vermicomposto) para a horta orgânica e de minhocas para a produção de farinha de minhoca para as aves. Camas do galinheiro e do cabril, acrescidas de sobras vegetais de diferentes procedências, são previamente compostadas e estabilizadas em composteira de madeira de três corpos, mantendo um sempre vazio para permitir a virada do composto, antes de serem colocadas nos canteiros para a alimentação das minhocas. 

O minhocário é construído de blocos de cimento, tendo por cobertura telhas onduladas de fibrocimento, com armação de madeira para suporte. Dimensionado para se conseguir máximo rendimento em função do ciclo biológico da espécie gigante africana (Eudrilus eugeniae), apresenta três canteiros em sequência: um canteiro de matrizes (2m x 2m); um canteiro de reprodução (6m x 2m) e três canteiros de produção (20m x 2m cada). Microaspersores mantêm o substrato com umidade adequada e lâmpadas são acesas automaticamente à noite para evitar possíveis fugas das minhocas. A separação dos vermes é feita em peneira vibratória para húmus.



Pomar orgânico

Destinado ao consumo da família e dos animais, o pomar tem 784m² (28m x 28m) foi inicialmente plantado com 15 bananeiras, oito pés de acerola, quatro goiabeiras, uma mangueira, uma jabuticabeira anã e dois camu-camus (Myrciaria dubia), recebendo, ao longo dos anos, outras fruteiras (mamão, mexerica, limão, maracujá, carambola e amora). Nabo-forrageiro (Raphanus sativus), da família das crucíferas, foi plantado em toda a área como adubo verde, uma vez que suas raízes descompactam o solo (Cambissolo, B-textural com cascalho, perfil raso), servindo a planta para alimentação animal e para a reciclagem de nutrientes, como nitrogênio e fósforo. A adubação foi feita com composto no plantio (40kg/cova) e em cobertura. Acidez foi corrigida com calcário dolomítico e aplicado fosfato natural em cobertura. Depois de formado, o pomar serve para o pastejo dos caprinos, realizando, assim, capina biológica das plantas invasoras.


Arborização

Na área reservada para reflorestamento (2.000m²) e no entorno do projeto, árvores foram plantadas com as finalidades de: quebra-ventos e barreiras físicas contra a disseminação de organismos indesejáveis; obtenção de madeiras (mourões), lenha e frutas; atração da fauna associada à existência do componente arbóreo, especialmente polinizadores necessários às fruteiras e outras plantas; e paisagismo e melhoria do microclima local. Em um primeiro momento plantou-se uma essência exótica (eucalipto, para mourão) e outra nativa (grevilha, de crescimento rápido, que floresce o ano todo, para quebra-vento). Sistema Agrofloretal (Saf) foi adotado, cultivando-se milho e feijão entre fileiras de árvores. Em anos subsequentes outras essências foram plantadas: acácias, cabeludinha, calabura, cedro, ipê, jambolão, jequitibá, paineira-rosa e pau-d’álho.


Automatização e mecanização

A fim de facilitar o árduo trabalho do agricultor, a automatização de algumas atividades foi estabelecida: sistema de irrigação da horta por aspersão; irrigação das mudas do viveiro por microaspersores semiautomáticos temporizados; umidificação dos canteiros do minhocário por microaspersores temporizados; peneira vibratória para separar minhocas e húmus; debulhador de milho; picador de forragens; roçadeira portátil a gasolina e outros. Embora não necessário, um microtrator da fazenda Areão foi utilizado no projeto, para ele sendo adquiridos uma enxada rotativa, um rotocanteirador e uma carreta.


Nota:
A utilização de tecnologias integradas, como são as do projeto em apreço, desenvolvidas para o pequeno agricultor (agricultor familiar), é o fundamento pelo qual se deve desenvolver qualquer outro modelo visando sustentabilidade e autossuficiência, passos seguros para a permanência dele no campo, produzindo alimentos que lhe garantam renda adequada, proporcionem segurança alimentar para a população humana e conservem e preservem os recursos de produção e os recursos naturais fundamentais à vida.


Referências

PASCHOAL, A.D. Ökolosische und öconomische Last der industriell betribenen Landwirtschaft in Brasilien. Hamburg: Lateinamerika, 1985.

PASCHOAL, A.D. Sustainable Agriculture. A world-wide growing concern and reality. Proceedings, 2nd International Conference on Kyusei Nature Farming, Piracicaba: 1991.13-17.

PASCHOAL, A.D; PASCHOAL,.D.P.D. A model of sef-sustained nature farming system suitable for small-holders in Brazil. Proccedins, 6th International Conference on Kyusei Nature Farming. Pretoria: South Africa, 1993.

PASCHOAL, A.D. Produção orgânica de alimentos. Agricultura sustentável para os séculos XX e XXI. Piracicaba: 1994, 191p.

PASCHOAL, A.D. Modelos sustentáveis de agricultura. Agricultura Sustentável-Embrapa. Jaguariuna, 2(1),11-16, 1995.

PASCHOAL, A.D. Projeto de viabilidade sócio-econômica para o assentamento de 40 familias de agricultores no município de Bastos, SP. Projeto Casulo “Vida no Campo”, Incra-Prefeitura Municipal de Bastos, 2001, 31p.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

AGRICULTURA FAMILIAR. I Parte 1. Modelo autossustentável para o agricultor familiar, desenvolvido na esalq: descrição do projeto.

 Adilson D. Paschoal 

Professor Titular-Sênior da Esalq-USP 


Trabalho elaborado em homenagem aos 120 anos da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, e à memória de seu idealizador e criador Luiz Vicente de Sousa Queiroz, exemplo de dedicação e determinismo por uma causa que não viu concluída senão em seus sonhos. 


Histórico do projeto. 

O ano era 1989. Em aula da disciplina optativa de Agroecologia e Agricultura Orgânica (a Esalq foi a terceira escola pública a ter disciplina dessa natureza, depois de Kassel, na Alemanha, e Wageningen, na Holanda) ministrada na Esalq-USP pelo autor deste artigo, comenta um aluno, depois de saber serem poucas as opções que ele e os outros mais de cinquenta de seus colegas tinham de excursões a propriedades agrícolas orgânicas, raras na ocasião: 

— Professor! Por que então não criamos aqui na Esalq uma área de agricultura orgânica onde as práticas agroecológicas possam ser demonstradas, servindo para as aulas práticas? 

Assim foi que, por iniciativa discente e muita pesquisa preliminar, surgiu o projeto que primeiro chamei Unidade de Tecnologias Integradas (UTI), que logo tive de mudar por uma razão singular e cômica. Como a unidade foi montada na Fazenda Areão, de propriedade da Esalq, ficando ela bem distante da minha sala do Departamento de Zoologia, um dia a secretária recebe um telefonema de alguém que desejava me falar: 

— Bom dia. É do Departamento de Zoologia? 

— Sim. 

— O professor Paschoal está? 

— Não. Ele está na UTI. 

— Que?... 

Para evitar novos mal-entendidos, a unidade passou a ser Unidade Autossustentada de Agricultura Orgânica (UAS), implantada em outubro de 1990, primeiro como Horta Orgânica Biocinética, de ensino, pesquisa e extensão, destinando-se as hortaliças para consumo dos restaurantes da Esalq e, depois, com verba do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal e com doações da Fapesp (bolsas de estudos), da Secretaria de Agricultura de São Paulo (sistema de irrigação), da Esalq (área, microtrator, ônibus para transporte dos alunos etc.) e de firmas particulares (Fundação Mokiti Okada, principalmente) como unidade autossustentada para agricultores familiares. O projeto foi desenvolvido com a participação dos alunos da disciplina e de bolsistas e estagiários, no período de 1990 a 2003, continuando nos anos seguintes, após a minha aposentadoria, sob a responsabilidade dos professores Dalcio Caron e Carlos A. Khatounian, com a participação ativa do Grupo Amaranthus de Agricultura Orgânica. 

Objetivos do projeto

A ideia central da unidade era criar um modelo de agricultura sustentável para o agricultor familiar, com o qual uma família de quatro pessoas (casal e dois filhos adultos) pudesse produzir alimentos para si e para venda do que produzisse, de forma a depender muito pouco de aportes externos, visando, assim, a autossuficiência, bem como a produção agrícola em consonância com a natureza, conservando os seus recursos. Modelos como esse, de análise holística, i.e., de avaliação do sistema agrícola como um todo, e não apenas de suas partes (reducionista) não existiam na ocasião, como são raros até no presente, daí as dificuldades iniciais de como avaliá-lo. A solução encontrada foi adaptar um modelo de balanço energético que existia apenas para ecossistemas naturais. Em sistemas biológicos, o todo é muito mais do que a simples soma de suas partes, daí a razão da natureza holística do projeto. 

Partindo do pressuposto que para se nutrirem adequadamente as pessoas (no caso a família do produtor rural) necessitam de proteínas, hidratos de carbono, lipídeos, vitaminas e sais minerais, estabeleceu-se como prioridade a produção de ovos, carne, leite, peixe, hortaliças, frutas, cereais e leguminosas (fabáceas). Como área padrão, definiu-se que seria de um hectare, possível de ser ampliada pela natureza modular do sistema produtivo. Autossuficência seria possível integrando-se todas as atividades econômicas, de forma a que uma dependesse e completasse a outra, daí a denominação primeira de Unidade de Tecnologias Integradas (UTI), que foi seu grande diferencial. Reciclagem de nutrientes, otimização do fluxo de energia (eficiência energética) e estabilidade pela biodiversidade foram outros princípios agroecológicos postos em prática. 

Definição das prioridades 

Para a área padrão de um hectare definiu-se como atividades econômicas principais, de valor comercial maior, a produção de ovos orgânicos (“caipiras”) e de hortaliças orgânicas. Como atividades complementares às econômicas e necessárias para as suas concretizações e integrações, estabeleceram-se: uma área para a produção de grãos orgânicos (milho, cereais de inverno, leguminosas); um minhocário, para a produção de húmus (vermicomposto) e de minhocas; um pátio de compostagem, para a elaboração de composto orgânico e um tanque para a irrigação da horta e criação de peixes e patos.



Para a área padrão de um hectare definiu-se como atividades econômicas principais, de valor comercial maior, a produção de ovos orgânicos e de hortaliças orgânicas. Esquerda: vista dos galinheiros, com o galpão de galinhas em pré-postura à esquerda e o galinheiro de poedeiras à direita, Direita: vista interna do galinheiro de poedeiras, com aves da raça Label Rouge negra. Fotos do autor, 1997

Para consumo da família, implantou-se um pomar orgânico, para a produção de frutas o ano todo; um cabril, com cabra para a produção de leite; um canteiro elevado, para a produção de plantas medicinais e condimentares; e uma área de reflorestamento (Saf), para a produção de moirões e de lenha, servido ainda como quebra-vento, barreira física e abrigo e alimento para a avifauna e polinizadores. 

Integração das atividades produtivas

A integração realiza-se de forma simples, complementando-se atividades agrícolas com atividades pecuárias, de modo a que uma atenda e complete as necessidades da outra. Diversidade, integração e reciclagem são os mecanismos mais importantes para se conseguir sustentabilidade.

Galinheiros

 As galinhas pastejam livremente em quatro pastos de capim quicuio (Braquiaria humidicola) e capim “cost-cross” (Cynodon dactylon), cercados por alambrados, sendo duas pastagens para galinhas em pré-postura e duas para galinhas em postura. Separados por porteiras, permitem fazer-se rodízio e o trabalho útil da cabra e cabritos em melhorá-los; por serem ruminantes (poligástricos), os caprinos podem aproveitar a vegetação mais grosseira dos pastos, deixando a rebrota mais rica em proteínas para as galinhas, que são monogástricas. Feijão guandu, plantado em todo o perímetro dos galinheiros, fornece folhas e vagens ricas em proteína para as aves, que também recebem material descartado da horta (folhas, raízes, tubérculos, frutos etc.). Recebem, ainda, milho e cereais de inverno da área de produção de grãos e farinha de minhoca (tão rica quanto a farinha de peixe), obtida por desidratação e moagem de minhocas criadas no minhocário.

Horta

A horta recebe vermicomposto (húmus de minhoca), mais adequado para culturas de ciclo curto, como são as hortaliças, por ser o produto mineralizado pelo trabalho dos vermes, os nutrientes sendo prontamente absorvidos pelas raízes. Além disso, o vermicomposto contém matéria orgânica agregadora de solo e meio de existência para a biota edáfica útil, caso das bactérias fixadoras de nitrogênio, dos fungos micorrízicos e dos microrganismos de vida livre produtores de vitaminas, de hormônios e de outros compostos úteis às plantas. Refugos de verduras e legumes alimentam parcialmente as aves e os caprinos, que, por sua vez, fornecem estercos para a produção do vermicomposto.



A horta recebe vermicomposto (húmus de minhoca), mais adequado para culturas de ciclo curto, como são as hortaliças, por ser o produto mineralizado pelo trabalho dos vermes, sendo os nutrientes prontamente absorvidos pelas raízes. Além disso, o vermicomposto contém matéria orgânica agregadora de solo e meio de existência para a biota edáfica útil, Esquerda. Horta orgânica biocinética, vendo-se ao fundo o cabril. Direita. Alunos trabalhando na horta. Fotos do autor, 1997.




Área de produção de grãos orgânicos

A área (5.000 m²) foi dimensionada para atender, prioritariamente, à demanda das galinhas. O solo, inicialmente pobre (Cambissolo B textural com cascalho), foi progressivamente recuperado com calcário, fosfato de rocha, adubações orgânica e verde, curvas de nível e terraços. Depois de alguns anos, a porcentagem de saturação de bases (V%) foi elevada, variando de 67% a 75%, eutróficos, portanto. A variedade de milho escolhida foi Opaco 2 por ser rico em metionina e triptofano, aminoácidos necessários às poedeiras, presentes em quantidade insuficiente na farinha de minhoca. O milho foi consorciado com mucuna-preta (capaz de diminuir populações de nematoides) e abóbora, e, ao longo do tempo, com outras leguminosas (feijão, feijão-de-porco, crotalárias etc.). Culturas de inverno foram experimentalmente plantadas para alimentar as aves, como o triticale e o grão-de-bico. Aveia preta (Avena strigosa) foi utilizada como forragem e para a cobertura do solo no inverno, reduzindo a infestação de plantas invasoras e melhorando as características do solo. 

Nota: No próximo artigo (Parte 2) descreverei como são as instalações e quais foram os resultados obtidos.



Projeto de 1994 da Unidade Autossustentada de Agricultura Orgânica. Desenho do autor, 1994.


Referências:

PASCHOAL, A.D. Ökolosische und öconomische Last der industriell betribenen Landwirtschaft in Brasilien. Hamburg: Lateinamerika, 1985.

PASCHOAL, A.D. Sustainable Agriculture. A world-wide growing concern and reality. Proceedings, 2nd International Conference on Kyusei Nature Farming, Piracicaba: 1991.13-17.

PASCHOAL, A.D; PASCHOAL,.D.P.D. A model of sef-sustained nature farming system suitable for small-holders in Brazil. Proceedings, 6th International Conference on Kyusei Nature Farming. Pretoria: South Africa, 1993.

PASCHOAL, A.D. Produção orgânica de alimentos. Agricultura sustentável para os séculos XX e XXI. Piracicaba: 1994, 191p.

PASCHOAL, A.D. Modelos sustentáveis de agricultura. Agricultura Sustentável-Embrapa. Jaguariuna, 2(1),11-16, 1995.

PASCHOAL, A.D. Projeto de viabilidade sócio-econômica para o assentamento de 40 familias de agricultores no município de Bastos, SP. Projeto Casulo “Vida no Campo”, Incra-Prefeitura Municipal de Bastos, 2001, 31p.



quinta-feira, 27 de maio de 2021

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Passo a passo para acessar a Minha Biblioteca

 



Passo a passo para acessar a Minha Biblioteca

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Tutorial da Minha Biblioteca Digital: https://drive.google.com/file/d/10gz8S4YJC4SHdDh1stX2KVYWk76QxY7I/view


Fonte: Biblioteca IP/USP


quinta-feira, 6 de maio de 2021

Você sabe como colocar corretamente o nome da USP em seus artigos científicos?



O International Standard Name Identifier (ISNI) é o órgão global certificado pela ISO 27729 para identificar organizações e indivíduos envolvidos com a cadeia de suprimentos de informação e mídia, por meio de sua Agência Ringgold que, por sua vez, integra-se ao iD ORCiD

Dessa forma, recomenda-se a adoção da denominação da Universidade de São Paulo, suas Unidades, Institutos, Centros, MuseusNo caso da USP, cito a recomendação do ISNI de adotar preferencialmente a denominação em português como padrão principal:


Universidade de São Paulo 

Esse padrão é consistente também com a denominação adotada pelas bases de dados multidisciplinares Web of Science e Scopus, responsáveis pelos principais rankings universitários, que adotam a denominação Universidade de São Paulo. *

* texto reduzido do e-mail originalmente enviado pela Aguia em 7/05/2020


terça-feira, 27 de abril de 2021

Gravação: Webinar para Autores: como escolher a melhor revista para publicar seu artigo

 


Escolher a melhor revista para publicar seu artigo é uma arte e exige estratégia. Artigos revisados por pares são uma parte importante da comunicação científica e fator de reconhecimento e impacto da pesquisa.

Espera-se que os pesquisadores escrevam artigos que comuniquem claramente seu tópico, incluindo o método e os resultados, e os submetam ao periódico certo. O sucesso na publicação de pesquisas equivale a um perfil mais elevado e uma maior capacidade de atrair financiamento e colaboradores no futuro.

Saiba mais esse treinamento que foi realizado no dia 19 de abril de 2021:


segunda-feira, 26 de abril de 2021

Seminários para Capacitação no Uso da Biblioteca, Pesquisa na Web e Estrutura do Trabalho Científico



Fiquem atentos às datas para os "Seminários para Capacitação no Uso da Biblioteca, Pesquisa na Web e Estrutura do Trabalho Científico". Em 2021 serão 4 opções de encontros (Online via Google Meet com duração de 2h cada):
  • Portais de Pesquisa: formas de acesso às bibliotecas digitais abertas ou restritas, bases de dados de A-Z assinadas ou publicadas pela USP; 
  • Sistema de Submissão de Teses, Estrutura do Trabalho Científico e Turnitin: dicas de escrita científica, templates para formatação, revisão e depósito e cadastro na Estação de Autochecagem para detecção de similaridades;
  • EndNote e Mendeley: ferramentas de gerenciamento e formatação de citações e referências em mais de 7.000 estilos bibliográficos, normas ABNT inclusive;
  • Identificadores Digitais de Autor (ORCID): criação do perfil vinculado à USP e integração com Scopus ID, ResearcherID, Google ID, Lattes ID.
Será um prazer enorme atendê-los(as), conforme a disponibilidade e escolha dos temas.
Aguardamos o contato por meio do e-mail referencia.esalq@usp.br para juntos cumprirmos esta agenda, que poderá ser estendida a todos os seus alunos e convidados.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Biblioteca Virtual Pearson - Mini vídeos


Os vídeos abaixo tratam dos recursos da plataforma Biblioteca Virtual Pearson. Eles podem ser usados pela comunidade da USP, principalmente por estudantes. 

São vídeos curtos e otimizados para ajudar na compreensão dos recursos da plataforma. 

O formato de publicação dos vídeos no Youtube é o Não Listado.

• Primeiro acesso e cadastro - https://youtu.be/F7J4wFQTBWk

• A página inicial da BV - https://youtu.be/VrqTcPtED8o

• Acessibilidade na BV - https://youtu.be/sWB2rFXZ9os

• Sugestões de Leitura - https://youtu.be/PvpskACRKfY

• Criar meta de leitura - https://youtu.be/g-6cGaGdqN0

• Aplicar filtros para refinar a busca - https://youtu.be/aoj7de0C6qo

• Criar listas de livros - https://youtu.be/Ib-Pmdz-QLk

• Navegar no livro - https://youtu.be/Z0GnrnXkMMk

• Comprar de créditos de impressão - https://youtu.be/2TyPM5cQsUc

• Realizar marcações e buscas de significados no livro ePub- https://youtu.be/KpgP2d6OM-c

• Fazer marcações em livros PDF - https://youtu.be/SIXuf1gff8Q

• Fazer citações - https://youtu.be/wcB91az3GPo

• Aplicar zoom e marcações no livro PDF - https://youtu.be/zNYvGzXSf-w

• Ocultar marcações nos livros - https://youtu.be/MQWU6u8jU_4

• Criar cartões de estudo - https://youtu.be/Rpk9b0lzLos

• Pesquisar dentro do livro - https://youtu.be/SRk-EjUceik

• Ouvir o livro - https://youtu.be/a7hgWyc7MXo

• Copiar link do livro - https://youtu.be/2fQ_aEd2znE

• Navegar pelo menu lateral - https://youtu.be/fpiJ1PWKNRM

• Como baixar o manual e enviar mensagem pela plataforma - https://youtu.be/_ogogBxxUc8

• Comprar um livro da BV - https://youtu.be/x2v4sWQVPQo

• Baixar livro para leitura offline no app - https://youtu.be/ZmXJ0TwXfIo

• Como ler o livro Off-line no aplicativo da BV - https://youtu.be/0zO1r3tUrv8


Atenciosamente, Kassandra Landucci

Consultora Pedagógica

Tudo vai dar certo: a volta ao "normal" depende de nós!

 


A Divisão de Biblioteca da USP/ESALQ criou um vídeo de recordação da recepção de alunos ingressantes em 2019: https://youtu.be/MqsQtHd3cU0

Hoje, vivemos tempos difíceis, mas não devemos perder nossa humanidade, nem a esperança por dias melhores diante de um cenário que se apresenta cada vez mais assustador. 

Todavia, a reversão deste quadro depende somente de nós! O isolamento social, por mais que seja difícil, ainda é a melhor solução para afastarmos o coronavírus. 

Por isso, fique em casa e tome esse tempo para lembranças calorosas e pensamentos do amanhã, criando o desejo universal para retomada do "normal" de nossas vidas.