Pesquisar neste blog

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Conheça 10 dicas para estudar melhor, segundo a ciência

Estudar é mais uma das atividades em que focar na eficiência é mais benéfico do que na quantidade. Inclusive, segundo a ciência, estudar muito – prática chamada pelos especialistas de “overlearning” – prejudica o aprendizado.

Isso porque a capacidade das pessoas de relembrar um conteúdo tem um limite definitivamente menor do que sua capacidade de estudo.

Para aumentar a produtividade na hora de aprender - e diminuir tempo e estresse - o site americano que cataloga universidades Best Colleges compilou diversas dicas para estudar melhor (e menos!), comprovadas pela ciência.

10 dicas para estudar eficientemente, segundo especialistas

#1 Impeça a “curva do esquecimento”

Os cientistas começaram a explorar o fenômeno psicológico “curva do esquecimento” em 1885. Ainda hoje, continua sendo um fator importante a ser considerado quando se estuda. Essencialmente, ele diz que a primeira vez que você ouve uma aula ou estuda algo novo, tem a melhor chance de retenção, de até 80%, do que aprendeu apenas revendo o conteúdo novamente dentro de 24 horas.

E – bônus – isso tem um efeito cumulativo. Depois de uma semana, você terá capacidade de reter 100% das mesmas informações após apenas cinco minutos de análise. Geralmente, os psicólogos concordam que este tipo de intervalo estudando – e não estudando – é o melhor. Para otimizar seu tempo de estudo, aproxime-o mais do dia em que você teve contato com o material do que do dia da prova.


#2 Utilize material impresso

Tablets e outros meios eletrônicos são ótimos para conveniência e portabilidade. No entanto, pesquisas sugerem que, quando se trata de estudar na faculdade, os materiais impressos tradicionais ainda têm vantagem.

Mesmo que alguns pesquisadores argumentem que adotar novos hábitos ao usar uma interface digital melhora a experiência acadêmica, mais de 90% de alunos entrevistados em um estudo compreensivo disseram preferir uma cópia impressa a um dispositivo digital quando se trata de estudo e trabalho escolar.

Além disso, um professor de psicologia da Universidade de Leicester, na Inglaterra, descobriu que os alunos precisam de mais repetição para aprender quando leem na tela do computador em comparação a quando consultam apenas material impresso.


#3 Faça conexões


Muitos especialistas consideram que a diferença entre quem aprende rápido e devagar é a maneira como estudam: em vez de memorizar, os alunos mais rápidos fazem conexões entre as ideias.

Conhecido como aprendizagem contextual, o processo é crucial e exige que cada aluno personalize seus próprios métodos de aprendizagem, fazendo conexões que relacionem as informações para começar a se encaixar e fazer sentido.


#4 Estude quando estiver cansado – e descanse em seguida

A quarta das dicas para estudar melhor pode parecer contraintuitiva a princípio, de acordo com a ciência, faz sentido.

Estudar quando você está mais cansado imediatamente antes de dormir pode realmente ajudar seu cérebro a reter concentrações mais altas de habilidades novas, como falar uma língua estrangeira ou tocar um instrumento. Existe até um termo para isso: “sleep-learning” (em português, “aprendizado do sono”).

Isso porque o processo de consolidação da memória está em seu melhor momento durante o sono “de ondas lentas”. O que significa que a revisão do material antes de dormir pode realmente ajudar o cérebro a reter as informações.


#5 Não releia, relembre

Esse método de estudar foi tema em 2009, quando um professor de psicologia da Universidade de Washington em St. Louis publicou um artigo na Psychological Science aconselhando os alunos contra o hábito de leitura e releitura.

Segundo ele, ler e reler os materiais podem levar os estudantes a pensarem que conhecem bem o conteúdo, mesmo quando não é verdade.

Em vez disso, ele sugere que os alunos utilizem “recordação ativa”, fechando o livro e recitando tudo o que podem lembrar para praticar a memorização a longo prazo.


#6 Use o sistema Leitner

O sistema Leitner é o mais conhecido para utilizar “cartões de memorização”. Ele serve para que os estudantes aprendam o conteúdo com o qual estão menos familiarizados pela repetição.


Na prática, o aluno coloca todos os cartões com perguntas na caixa 1. Em seguida, pega cada cartão e tenta responder a pergunta. Se acertar a resposta, coloca-o na caixa 2. Se errar, deixa-o na caixa 1. O estudo passa para as caixas seguintes e a premissa permanece. A única diferença é que nas próximas se o estudante errar, deve voltar o cartão para a caixa anterior. Assim, os cartões na primeira caixa são estudados com mais frequência.


#7 Pense sobre o pensar

Especialistas defendem o uso do método testado e comprovado de aprendizagem chamado metacognição, ou “pensar sobre o pensar” – e essa é a sétima do compilado de dicas para estudar vindas da ciência.

Aplicado ao estudo, os alunos precisam avaliar constantemente seu nível de habilidade e progresso. Além disso, monitorar cuidadosamente seu bem-estar emocional quando realizam atividades potencialmente estressantes. A premissa é de que a metacognição ajude em uma retenção mais consciente e efetiva do conteúdo.


#8 Varie o conteúdo

Cientistas comprovaram que é melhor variar o tema ao estudar, em vez de se concentrar apenas em uma área. No entanto, é aceitável e até mesmo preferível unir campos de assuntos relacionadas ou semelhantes.

Por exemplo, em vez de apenas memorizar vocabulário em outro idioma, misture também a leitura. Se estiver estudando matemática, inclua vários conceitos juntos, em vez de apenas um.


#9 Mude de cenário

Embora isso possa ser óbvio para alguns alunos, outros podem esquecer que uma mudança tão simples quanto de cenário pode ter um grande impacto nas habilidades de aprendizado.

Um psicólogo da UCLA, por exemplo, apontou que trocar de local de estudo aumenta pode aumentar os níveis de retenção de informações e concentração.


Mudar de cômodo já é o bastante, mas os especialistas também
recomendam ir “um passo além” estudando ao ar livre


#10 Assuma o papel de “professor” 

Pesquisas mostram que os alunos têm melhor chances de recordação ao aprenderem novas informações quando têm a expectativa de ensiná-las a outra pessoa. Além disso, estudos também sugerem que os alunos se engajam mais e instintivamente buscam métodos de recordação e organização para o papel de “professor”.

Por isso, a última das dicas para estudar mais eficientemente é: de tiver oportunidade, experimente ensinar o que aprendeu a um colega ou até a um “colega imaginário”. O importante é ter a expectativa de “ser professor” desde o momento de estudo, porque é ela que proporciona os benefícios.


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

7 Dicas para melhorar sua pesquisa e escrita acadêmica



Durante nosso caminho acadêmico até o diploma em algum momento você terá que fazer uma pesquisa e escrever um artigo científico. Seja no seu TCC, dissertação, tese ou quando for publicar um artigo, também conhecido como paper, em uma revista ou periódico científico.
Neste post vamos mostrar 7 dicas para melhorar sua pesquisa e escrita acadêmica e como desenvolver seu TCC, trabalho acadêmico ou tese.


1. Entenda sua pesquisa e seus objetivos

Meio óbvio, mas não a toa a número um. O mais importante de todos é entender o que está sendo feito, qual o impacto e o que você quer alcançar ao estudar determinado assunto e seus objetivos nessa caminhada.

É impressionante o número de pesquisadores que não sabem dizer com precisão qual sua pesquisa no momento. De fato, se a pessoa precisa consultar o orientador ou orientadora com frequência para assuntos simples sobre a pesquisa é sinal de que ainda não tem domínio o suficiente para dizer que a entendeu. Observe se você consegue explicar em poucas palavras o que está pesquisando para um leigo. Se sim, é provável que você tenha bem claro o que é sua pesquisa.


2. Tenha sempre uma pergunta em mente

O que move a pesquisa são as perguntas. Elas nos guiam e são o motivo pelo qual você começou a investigar um problema. Ter sempre uma pergunta em mente a ser respondida é uma ótima estratégia para manter sua pesquisa sempre em frente e também para não dispersar ao longo da jornada.


3. Divida seu objetivo principal em subetapas

Esta é uma dica que reúne elementos do primeiro e segundo tópico. De certo, dividir seu objetivo em várias perguntas é uma maneira muito eficiente de aumentar sua percepção de progresso e consequentemente sua motivação, organizar seu conteúdo a ser publicado e acelerar em direção à conclusão do trabalho.

Por exemplo, se o seu objetivo de pesquisa é responder se um tratamento é melhor que um controle, então você pode dividir esse macro em subetapas como: 

  • Coletar dados
  • Organizar os dados
  • Fazer análise exploratória
  • Escrever a descrição e coleta
  • Realizar comparação
  • Revisar a estatística
  • Escrever os resultados
  • Revisão geral
  • Etc

Veja como que a simples lista das etapas já dá nos dá uma satisfação de termos uma jornada muito bem definida e cada etapa completada é uma motivação extra para continuar.


4. Lide com uma coisa de cada vez

Ao dividir seu objetivo em subetapas como mencionado acima é normal querermos chegar logo no final e com isso atropelar etapas ou querer abraçar o mundo e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Além disso, querer fazer várias coisas ao mesmo tempo é sinal de que talvez seu objetivo não esteja muito claro para você ou que seu caminho não está bem definido.

Porém, não podemos confundir exploração com falta de foco. É comum no início de uma pesquisa termos várias frentes de exploração e materiais de leitura, mas tudo deve ser em prol do compreendimento da pesquisa para que suas etapas sejam bem definidas. Ademais, imprevistos provavelmente irão ocorrer e ao lidar com várias coisas ao mesmo tempo pode ser prejudicial para tentar solucionar um eventual problema.


5. Reserve um tempo para leitura e atualização

A leitura é fundamental no início da pesquisa pois familiariza com o problema e ajuda a ter ideias baseado no que já foi feito. Além disso, o hábito da leitura é diretamente relacionado com uma escrita melhor.

Mesmo após traçar seu objetivo e começar a pesquisa de fato, manter o hábito da leitura e procurar atualização sobre pesquisas em sua área é de extrema importância para que sua pesquisa se mantenha relevante ou até mesmo para evitar um possível plágio quando duas pessoas pesquisam o mesmo problema.

Para isso, recomendamos o Google Acadêmico e o ArXiv para procurar pelas palavras chaves relevantes à sua pesquisa e se manter em dia.


6. Trabalhe com autonomia

A dependência em excesso da orientadora ou orientador pode ser prejudicial para o andamento da pesquisa e também para sua motivação.

Ainda mais, ao tratar a pesquisa como sua propriedade intelectual e sentir que realmente está contribuindo para o desenvolvimento da mesma é percebido um aumento razoável de motivação e facilidade de desenvolvimento de pesquisa e escrita. Não importa o nível de pesquisa, se é um TCC, dissertação, tese ou artigo, nem se está na graduação, mestrado ou doutorado; deve-se ter em mente que o trabalho é seu e você é também uma contribuição muito importante para o seu sucesso.


7. Peça ajuda e converse sobre sua pesquisa

Ao se ver bloqueado em algum momento por algo que lhe impeça de seguir adiante em sua pesquisa não hesite em pedir ajuda. Não precisa ser necessariamente de sua orientação, mas uma simples conversa com seus colegas pode lhe esclarecer muito apenas por falar em voz alta.

Além disso, quando tiver a oportunidade converse sobre sua pesquisa. Mostre-a para amigos, colegas e familiares. Isso irá fortalecer ainda mais seu vínculo sadio com ela e manter um laço social importante para não deixar sua motivação cair ao longo da jornada.


Fonte: SOS Estatística: https://sosestatistica.com.br/7-dicas-para-melhorar-sua-pesquisa-e-escrita-academica/

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Novo prazo de empréstimos das bibliotecas USP

 


Todas as datas de devolução de obras dos acervos das Bibliotecas da USP foram prorrogadas automaticamente até o dia 04 de outubro de 2021.

Os materiais emprestados poderão ser renovados de forma on-line por três vezes consecutivas, após a data de 04.10.2021, desde que o item não esteja atrasado ou reservado para outro usuário, antes de sua efetiva devolução ou renovação no Balcão da Biblioteca.

Em virtude da recomendação geral de minimizar os riscos inerentes à situação de pandemia, orientamos que os usuários entrem em contato por e-mail com a Biblioteca (biblioteca.esalq@usp.br), caso tenham dúvidas.

Biblioteca do LES estará fechada ao público até outubro de 2021

 


Em virtude da mudança do acervo, para novas instalações, a Biblioteca do Departamento de Economia, Administração e Sociologia estará fechada ao público até outubro de 2021.
Neste período, o acervo continuará disponível aos usuários por meio de agendamento no site da biblioteca.
Ressaltamos que os empréstimos/devoluções devem ser realizados exclusivamente na Biblioteca Central.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

48 dicas de português para você acertar nos concursos e na vida

 

Existem competências obrigatórias para profissionais de qualquer área e o domínio do português é uma delas. Ainda assim, erros e dúvidas quanto ao uso correto da língua é uma constante, tanto nas relações pessoais quanto no mundo corporativo.

Erros frequentes refletem problemas na educação de base do brasileiro e muitas pessoas acabam ingressando no mercado de trabalho ou iniciando estudos para concursos públicos com muitas dúvidas.

Além de deficiências na formação básica, a falta de familiaridade com a escrita também contribui para o problema. Portanto, se você costuma consultar o dicionário e a internet para sanar dúvidas linguísticas pontuais, aproveite esse guia que preparamos com as principais dicas e algumas pegadinhas presentes na Língua Portuguesa para você acertar nos concursos públicos e nas conversas do dia-a-dia.
 
GRAFIA - ERROS E VARIAÇÕES

1. Menos ou Menos?
“Menas” não existe. Mesmo referindo-se a palavras femininas, use sempre menos.

2. Zero graus ou zero grau?
Zero está no singular, portanto, o substantivo grau deve acompanhá-lo na flexão. O correto é: Zero grau.
 
3. Quatorze ou catorze?
Você pode ficar à vontade para usar qualquer uma das formas, visto que ambas estão corretas.
 
4. Seje ou seja? Esteje ou esteja?
Esqueça o seje e o esteje. 
Essas palavras são usadas de forma errada na expressão oral.  
Seja e esteja são as opções corretas.
 
5. Troféis ou troféus?
Lembre-se: a terminação “éis” deve ser empregada apenas nas palavras terminadas em “el”, como papel, pastel, tonel, entre outras. 
Sendo assim, as palavras terminadas em “éu”, quando flexionadas no plural, devem levar a terminação “éus”. 
Portanto, o correto nesse caso é troféus, chapéus, céus, etc.
 
6. Ela quiz ou ela quis?
Assim como toda a conjugação do verbo querer (quiseram, quiseste, quisera, etc.), a palavra quis deve ser escrita com 's'. O correto, então, é ela quis.
 
7. Quite ou quites?
“Quite” deve concordar com o substantivo a que se refere. 
Se for no singular, podemos dizer que “o contribuinte está quite com a Receita Federal”, por exemplo. Já no plural, “os contribuintes estão quites com a Receita”.

8. Media ou medeia?
Há quatro verbos irregulares com final “iar”, são eles mediar, ansiar, incendiar e odiar. Todos se conjugam como “odiar”, portanto, o correto é medeio, anseio, incendeio e odeio. 
Exemplo: Ele sempre medeia os debates.

9. Ao meu ver ou a meu ver?
“Ao meu ver” não existe. O correto é “a meu ver”. 
Exemplo: A meu ver, o evento foi um sucesso.
 
10. A ou há
Para indicar tempo passado, usa-se o verbo haver. 
Exemplo: “Atuo no setor de controladoria há 15 anos”. O a, como expressão de tempo, é usado para indicar futuro ou distância. 

Exemplo: Falarei com o diretor daqui a cinco dias, ou, ele mora a duas horas do escritório”.
  
11. Retificar ou ratificar
Retificar refere-se ao ato de corrigir, emendar. Exemplo: Vou retificar os dados da empresa.
Ratificar significa confirmar, comprovar. Exemplo: Estávamos corretos. Os fatos ratificaram nossas previsões.
 
12. Tem ou têm?
Tem refere-se à 3ª pessoa do singular do verbo “ter” no Presente do Indicativo. Exemplo: Ela tem uma casa na praia.
Têm refere-se ao mesmo tempo verbal, porém na 3ª pessoa do plural. Exemplo: Elas têm uma casa na praia.
 
13. Fim de semana ou final de semana?
Fim é o contrário de início. Final é o contrário de inicial. O correto nesse caso é “Bom fim de semana”.
 
14. A par ou ao par?
No sentido de estar ciente, o correto é “a par”. Exemplo: Ele já está a par do ocorrido.
Use “ao par” somente para equivalência cambial. Exemplo: Há muito tempo, o dólar e o real estiveram quase ao par.
 
15. A princípio ou em princípio
A princípio equivale a “no início”. Exemplo: Achamos, a princípio, que ele estava falando a verdade.
Em princípio significa “em tese”. Exemplo: Em princípio, todo homem é igual perante a lei.
 
16. Senão ou se não?
Senão significa “a não ser”, “caso contrário”. Exemplo: “Nada fazia senão reclamar”.
Se não é usado nas orações subordinadas condicionais. Exemplo: Se não chover, poderemos sair.
 
17. Onde ou aonde?
Onde indica lugar em que algo ou alguém está e deve ser utilizado somente para substituir vocábulo que expressa a ideia de lugar. Exemplo: Onde coloquei minhas chaves?
Aonde também indica lugar em que algo ou alguém está, porém quando o verbo que se relacionar com “onde” exigir a preposição “a”, deve-se agregar esta preposição, formando assim o vocábulo “aonde”. Expressa a ideia de destino, movimento. Exemplo: Aonde você irá depois do trabalho?
 
18. Aceita-se ou aceitam-se?
Nesse caso, o verbo “aceitar” deve concordar com o sujeito se ele estiver no plural ou no singular. Exemplo: “Aceita-se animal de estimação” ou “Aceitam-se animais de estimação”

19. A fim ou Afim?
A locução a fim indica ideia de finalidade. Exemplo: Nós viemos a fim de discutir o projeto.
Afim é um adjetivo e significa semelhança. Exemplo: Eles têm ideias afins.
 
20. Despercebido ou desapercebido?
Despercebido significa sem atenção. Exemplo: As mudanças passaram despercebidas.
Desapercebido significa desprovido, desprevenido. Exemplo: Ele estava totalmente desapercebido de dinheiro.
 
21. Viagem ou viajem?
Viagem é substantivo. Exemplo: Fiz uma linda viagem.
Viajem é a flexão do verbo viajar no Presente do Subjuntivo e no Imperativo: Exemplo: Espero que eles viajem amanhã.
 
22. Mal ou mau?
Mal opõe-se a bem. Exemplo: O jogador estava mal posicionado
Mau é o posto de bom. Exemplo: Aquele homem é mau.
 
23. Perca ou perda?
Perca é verbo. Exemplo: Não perca as esperanças.
Perda é um substantivo. Exemplo: Há muita perda de tempo com banalidades.
 
24. Traz ou trás?
Traz é a conjugação do verbo “trazer” na 3ª pessoa do singular do Presente do Indicativo. Exemplo: Ela sempre traz os relatórios para a gerência.
Trás refere-se a parte posterior. Exemplo: Ele olhou para trás e viu o vulto.
 
25. Meio-dia e meio ou meio-dia e meia?
O correto é meio-dia e meia, pois o numeral fracionário concorda em gênero com a palavra hora: meio dia e meia hora.
 
26. Obrigado ou Obrigada?
Homens devem dizer "obrigado". Mulheres dizem "obrigada”.
 
 
CONCORDÂNCIA E PEGADINHAS

27. Para mim fazer ou para eu fazer?
Lembre-se do que dizia sua professora de português: “Mim não faz nada”. Mim é um pronome pessoal oblíquo, por isso não pode vir antes de um verbo exercendo função de sujeito em uma oração. Sendo assim, o correto é “para eu fazer”, “para eu falar”, “para eu estudar” e assim por diante.
 
28. São uma hora ou é uma hora?
O verbo deve concordar com as horas.
Exemplo: É uma hora da tarde.
Exemplo: São duas horas da tarde, são três horas da tarde e assim por diante.
 
29. Anexo
É preciso atenção para acertar nessa concordância.
Dizer que algo está em anexo é o mesmo que dizer que algo está anexado, por isso a palavra deve concordar com o substantivo a que ela se refere: Exemplo: Anexas seguem as cartas, ou, anexo segue o comprovante, ou ainda, os documentos solicitados estão anexos.
Em anexo é uma forma invariável, portanto, não vai para o feminino e nem para o plural: Exemplo: Em anexo, seguem as cartas. Segue o comprovante em anexo. Os documentos solicitados seguem em anexo.
 
30. Em vez de ou ao invés de?
“Em vez de” é usado como substituição. Exemplo: Em vez de elaborarmos um relatório, discutimos o assunto em reunião.
“Ao invés de” é usado como oposição. Exemplo: Subimos, ao invés de descer.
 
31. Ao encontro de ou de encontro a?
“Ao encontro de” dá ideia de harmonia, concordância. Exemplo: Os diretores estão satisfeitos, porque a atitude do gestor veio ao encontro do que desejavam.
“De encontro a” dá ideia de oposição. Exemplo: Os ideais do partido não estão indo de encontro a minha ideologia, por isso me afastei.
 
32. Através ou por meio?
Através expressa a ideia de atravessar. Exemplo: Ele olhava através da janela.
Por meio significa “por intermédio”. Exemplo: Os senadores sugerem que, por meio de lei complementar, os convênios sejam firmados com os estados. 

33. Precisa-se ou precisam-se?
Nesse caso, a partícula “se” tem a função de tornar o sujeito indeterminado, ou seja, o verbo permanece sempre no singular, sem variar para o plural mesmo que o sujeito o faça. Exemplo: Precisa-se de estagiários.
 
34. Implicar, implicar com ou implicar em?
No sentido de acarretar, o verbo “implicar” não admite preposição. Exemplo: O acidente implicou várias vítimas.
Já no sentido de ter implicância, a preposição exigida é “com”. Exemplo: Ele sempre implicava com os filhos.
E quando se refere a comprometimento, deve-se usar a preposição em. Exemplo: Ela implicou-se nos estudos e passou no concurso.
 
35. De mais ou demais?
Demais significa excessivamente e também pode significar “os outros”. Exemplo: Você trabalha demais.
De mais opõe-se a “de menos”. Exemplo: Alguns possuem regalias de mais, outros de menos.
 
36. Existe ou existem?
O verbo existir admite plural, diferentemente do verbo haver, que é impessoal.
Exemplo: Existem muitos problemas nesta empresa, ou existe apenas um problema nesta empresa.

37. Tão pouco ou tampouco?
Tão pouco corresponde a “muito pouco”. Exemplo: Trabalhamos muito e ganhamos tão pouco.
Tampouco corresponde a “também não”, “nem sequer”. Exemplo: Não compareceu ao trabalho, tampouco justificou sua ausência.
 
38. A nível de ou em nível de?
A expressão “em nível de” deve ser usada quando se refere a “âmbito”. Exemplo: A pesquisa será realizada em nível de direção.
Já o uso de “a nível de” significa “à mesma altura”. Exemplo: Estávamos ao nível do mar.
 
39. Chego ou chegado?
Chego é 1ª pessoa do Presente do Indicativo.
Exemplo: Eu sempre chego cedo.
Embora alguns verbos tenham dupla forma de particípio, como imprimido/impresso, frito/fritado e acendido/aceso, o único particípio do verbo chegar é chegado.
 
40. Meio ou meia?
No sentido de “um pouco”, a palavra “meio” é invariável. Exemplo: Ela estava meio nervosa na reunião.
Como numeral, meio deve concorda o substantivo. Exemplo: Ele comeu meia maçã, ou, ele comeu meio abacate.
 
41. Mas ou mais?
Mas é conjunção adversativa e significa “porém”. Exemplo: Gostaria de ter viajado, mas tive um imprevisto.
Mais é advérbio de intensidade. Exemplo: Adicione mais açúcar se quiser.
 
42. Descriminar ou discriminar?
Descriminar significa absolver, inocentar. Exemplo: O juiz descriminou o jovem acusado.
Discriminar significa separar, diferenciar. Exemplo: Os produtos estão discriminados na nota fiscal.

43. Faz ou fazem?
No sentido de tempo decorrido, o verbo “fazer” é impessoal, ou seja, só é usado no singular. Exemplo: Faz dois meses que trabalho nesta empresa.
Em outros sentidos, faz deve concordar com o sujeito. Exemplo: Eles fazem um bom trabalho.
 
 
CRASE

44. Palavras femininas
A crase deve ser empregada apenas diante de palavras femininas. Essa é a regra básica para quem quer aprender mais sobre seu uso.
Caso você fique em dúvida sobre quando utilizar o acento grave, substitua a palavra feminina por uma masculina: se o “a” virar “ao”, a palavra receberá o acento grave.
Exemplo:
- As amigas foram à confraternização de final de ano da empresa.
 
Agora substitua a palavra “confraternização” pela palavra “encontro”.
- As amigas foram ao encontro de final de ano da empresa.

45. Indicação de hora
Lembre-se de utilizar a crase em expressões que indiquem hora.
Exemplos:
- Às três horas começaremos a estudar.
- A partida de futebol terá início às 17h.
- Ele esteve aqui às 8h, mas foi embora porque não te encontrou.

Porém, quando as horas estiverem antecedidas das preposições “para”, “desde” e “até”, o artigo não receberá o acento indicador de crase.
Exemplos:
- Ele decidiu ir embora, pois estava esperando desde as 10h.
- Marcaram o encontro no restaurante para as 20h.
- Fique tranquilo, eu estarei no trabalho até as 9h.

46. Tempo, lugar e modo
Utilize a crase antes de locuções adverbiais femininas que expressam ideia de tempo, lugar e modo.
Exemplos:
- Às vezes chegamos mais cedo à escola.
- Ele terminou a prova às pressas, pois já passava do horário.

47. Palavras masculinas
A crase, na maioria das vezes, não ocorre antes de palavra masculina. Isso acontece porque antes de palavra masculina não ocorre o artigo “a”, indicador do gênero feminino.
Exemplos:
- O pagamento das dívidas foi feito a prazo.
- Os primos foram para a fazenda andar a cavalo.
- Tempere com pimenta e sal a gosto.
- Eles viajaram a bordo de uma aeronave moderna.
- Marcos foi a pé para o escritório.

Exceção:
Existe um caso em que o acento indicador de crase pode surgir antes de uma palavra masculina. Isso acontecerá quando a expressão “à moda de” estiver implícita na frase.
Exemplos:
- Ele cantou a canção à Roberto Carlos. (Ele cantou a canção à moda de Roberto Carlos).
- Ele fez um gol à Pele. (Ele fez um gol à moda de Pelé).
- Ele comprou sapatos à Luís XV. (Ele comprou sapatos à moda de Luís XV).

48. Casos em que a crase é opcional:
Antes dos pronomes possessivos femininos “minha”, “tua”, “nossa” e etc...
Nesses casos, o uso do artigo antes do pronome é opcional.
Exemplo:
- Eu devo satisfações à minha mãe, ou, eu devo satisfações a minha mãe.
Antes de substantivos femininos próprios.
Vale lembrar que, antes de nomes próprios femininos, o uso da crase é opcional, até porque o artigo antes do nome não é obrigatório.
Exemplos:
- Carlos fez um pedido à Mariana, ou, Carlos fez um pedido a Mariana.
- Se depois da preposição “até” houver uma palavra feminina que admita artigo, a crase será opcional.
Exemplo: Os amigos foram até à praça. Ou, os amigos foram até a praça.

Aproveite todas essas dicas e bons estudos!

Conteúdo produzido pela LFG, referência nacional em cursos preparatórios para concursos públicos e Exames da OAB, além de oferecer cursos de pós-graduação jurídica e MBA. Texto reproduzido de https://www.lfg.com.br/conteudos

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Retorno às atividades presenciais para atendimento de empréstimos e devoluções



A partir de 23 de agosto de 2021, a Divisão de Biblioteca da ESALQ iniciará o retorno ao atendimento para empréstimos e devoluções, mediante agendamento.

Ressalta-se que, o teletrabalho será mantido para todas as outras atividades oferecidas pela biblioteca.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Capacitação Mendeley: agenda aberta para os meses de agosto e setembro de 2021

 


Durante os meses de agosto e setembro de 2021, a Divisão de Biblioteca promoverá encontros online para capacitação em "Mendeley" para docentes, alunos e funcionários.

Mendeley é um gestor de referência gratuito, desenvolvido pela empresa Elsevier, disponibilizado aos usuários para gerenciar, compartilhar, ler, anotar e editar artigos científicos. Auxilia na formatação de trabalhos acadêmicos (citações e referências) de acordo com normas nacionais e internacionais, possuindo mais de 8.000 estilos de referências, incluindo ABNT.

Confira a agenda e faça sua inscrição em bit.ly/inscricao-mendeley

Indicamos também materiais de apoio ao pesquisador:

Ficou com dúvida? Fale conosco: referencia.esalq@usp.br.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Agricultura familiar - parte 7 - Modernização da agricultura familiar

Adilson D. Paschoal 

Professor Titular-Sênior da Esalq-USP | E-mail: adpacho@usp.br


Modernização da agricultura familiar. 

O tamanho limitado da propriedade familiar de certa forma dificulta a sua viabilidade econômica e a adoção de tecnologias modernas. A própria permanência das famílias no campo é outro problema, tanto por questões financeiras como por disponibilidade menor de financiamentos, falta de assistência técnica, aumento da mecanização e da contratação de serviços, e até mesmo de motivação para trabalharem com agricultura e pecuária, principalmente dos jovens, as cidades constituindo-se em maiores atrativos para eles. Com isso, as famílias rurais diminuem e envelhecem, como está ocorrendo no Rio Grande do Sul onde 82% dos trabalhadores rurais têm mais de 41 anos. Em 2017, quase a metade dos produtores familiares no Brasil tinha idade de 55 anos ou mais, 25% superavam os 65 anos e apenas 10% tinham menos de 35 anos. 

A busca por trabalho fora da propriedade do agricultor tem diminuído tanto a mão de obra da família em seu próprio domínio como a média de pessoas ocupadas nos estabelecimentos familiares, a ponto de não poderem mais ser classificados nessa categoria. O Decreto no. 9.064, de 2017, exige que pelo menos a metade da renda dos produtores deva proceder de atividades realizadas na propriedade; isso fez com que apenas 3,9 milhões de estabelecimentos fossem incluídos na categoria familiar no Censo de 2017, deixando de fora cerca de 900 mil outras, que, assim, perderam os benefícios das políticas públicas. A maior diminuição ocorre nas novas fronteiras agrícolas (Matopiba, principalmente). 


Políticas públicas para a agricultura familiar

Políticas públicas têm sido implantadas em apoio a essa modalidade de agricultura, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), de 1996, e o fortalecimento das ações de reforma agrária. A primeira dessas ações deu-se em 1985, através do Programa de Crédito Especial para Reforma Agrária (Procera), cuja finalidade era aumentar a produção e a produtividade da agricultura dos assentados da reforma agrária, de forma a possibilitar a inserção no mercado, a independência econômica do governo e a posse definitiva da terra. 

Outras se seguiram: Apoio à Pequena Produção Familiar Rural (Prorural), do início da década de 1990, com a criação de linha de crédito rural específica para a agricultura familiar; Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Programa Fome Zero, cujo objetivo era incentivar a produção e facilitar a comercialização dos produtos através de hortas comunitárias, hortas escolares, feiras livres, mercados municipais, cozinhas comunitárias etc. 

De máxima importância foi a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), de 2012, cujo objetivo era promover a transição das práticas agropecuárias convencionais para as práticas agroecológicas e fomentar a produção orgânica, tornando-as sustentáveis pelo uso racional dos recursos de produção e naturais, melhorando a qualidade de vida das pessoas pela oferta de alimentos saudáveis, livres de resíduos tóxicos. O projeto Banco Comunitário de Sementes (sementes crioulas) foi introduzido para garantir maior autonomia dos agricultores, reduzindo a dependência deles de insumos externos. A criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) em 2013 permitiu viabilizar e qualificar o serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) em todo o país, promovendo o desenvolvimento rural sustentável, sobretudo da agricultura familiar, convênios sendo firmados entre entidades públicas e empresas privadas com aplicação de R$ 80 milhões em 2020. 

Outra iniciativa de grande importância do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (mais conhecido como Plano ABC de Baixa Emissão de Carbono). Criado em 9 de junho de 2020, o plano incentivava o uso de práticas agrícolas sustentáveis pelos agricultores, tais como: recuperação de pastagens degradadas; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema de Plantio Direto (SPD); fixação biológica de nitrogênio; florestas plantadas; tratamento de dejetos animais; e adaptação às mudanças climáticas. 

Em nível internacional, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) instituiu 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar, com o objetivo de colocar essa modalidade no centro das políticas agrícola, social e ambiente, acabando com a miséria no campo. 


Tecnologias apropriadas para a agricultura familiar

Os agricultores familiares atuais têm demonstrado maior preocupação com o uso racional dos recursos naturais e de produção, máxime nas regiões mais desenvolvidas e onde a assistência técnica é maior, daí o emprego de técnicas agroecológicas. Muitas delas vêm sendo pesquisadas e recomendadas por quase todas as unidades da Embrapa, assim como por universidades e institutos de pesquisa: adubos orgânicos e verdes; compostagem e vermicompostagem de resíduos agrícolas e industriais; rotação e consórcio de culturas; tecnologias brandas; mecanização e equipamentos adequados à unidade produtiva e às condições do agricultor familiar; cultivo mínimo do solo; cobertura, viva ou morta, permanente do solo para evitar erosão e seca; integração lavoura-pecuária-floresta; variedades produtivas e resistentes a pragas e doença; sementes crioulas e raças animais rústicas; criação animal a pasto; rodízio de pastagens; uso de produtos naturais e biológicos para o controle de pragas e doenças; homeopatia para tratamento veterinário entre outros. Alimentos e outros produtos assim produzidos têm maior valor agregado, alcançando maior preço, sobretudo quando rotulados com selos identificadores da procedência (agricultura familiar, orgânica, artesanal etc.). 

Alguns resultados animadores têm sido obtidos pela Embrapa em suas várias unidades, no programa Agricultura Familiar e Populações Tradicionais, principalmente no Nordeste e no Centro-Oeste. Assim, a Embrapa Arroz e Feijão (Goiás) obteve média de 1.934Kg/ha de arroz das cultivares BRS Sertaneja e BRS Bonança em duas aldeias indígenas Bacairis, onde 22 hectares foram plantados, sendo a melhor colheita de 3.450kg/ha. Sistemas agroflorestais voltados para a agroenergia e segurança alimentar, produziram ótimos resultados em comunidades locais assim como o uso de tecnologias brandas e de saneamento como o uso de fossa séptica biodigestora (para tratar esgoto doméstico e gerar adubo orgânico); jardim filtrante; barragem subterrânea; irrigação por microaspersão; e barraginhas para a captação de água de chuva entre outras. 

No sertão nordestino de vários estados, em comunidades de pequenos agricultores familiares, foi implantado pela Embrapa em 2010 o Sistema Agropecuário Sustentável (Siagros), com o plantio de palma forrageira (ou milho, feijão, girassol, guandu) entre fileiras da leguminosa Gliricidia sepium, planta capaz de resistir aos períodos de seca e de alimentar animais. No assentamento “Margarida Maria Alves”, localizado no agreste paraibano, os agricultores têm colhido 1.000 kg/ha de algodão colorido orgânico, em área de 15 hectares em 2013. O produto é processado em miniusina descaroçadora de algodão e prensa para enfardamento da fibra desenvolvidas pela Embrapa para os agricultores familiares. 



Sementes biofortificadas, ou seja, sementes de cultivares melhoradas para serem mais nutritivas, têm diminuído a desnutrição e elevado a segurança alimentar no Nordeste. É o caso, por exemplo, dos feijões comuns BRS Pontal e BRS Agreste, e do feijão caupi BRS Xiquexique, desenvolvidos pela Embrapa, que têm maiores quantidades de ferro e zinco, sendo mais resistentes às pragas e doenças. 

No Rio Grande do Sul, 390 famílias estão produzindo arroz orgânico em dez municípios, num total de 3.700 ha em 2021, vendendo o produto para o Grupo Gestor do Arroz Agroecológico, com acréscimo de 20% pela qualidade do alimento. Em 2020, o saco de 5 kg de arroz convencional era vendido por R$50,00 e o orgânico por R$27,50. 


Referência: 

PASCHOAL, A.D. História Ilustrada da Agricultura. Seis séculos de agricultura no Brasil. Edição comemorativa dos 120 anos da Esalq e dos 200 anos da Independência do Brasil. 550 p. aprox. Em revisão, para publicação. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Agricultura Familiar - Parte 6 - Agricultura Familiar nas regiões sul, norte e centro-oeste

Adilson D. Paschoal 

Professor Titular-Sênior da Esalq-USP 


Agricultura familiar na região Sul

A situação é bem diferente nos estados do Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina principalmente), onde a agricultura familiar teve origem nos primórdios da colonização e da ocupação territorial. Isso se deu primeiro com colonos vindo dos Açores (que falhou, assim como em São Paulo e em outros estados) e depois com imigrantes italianos e alemães, com quem a agricultura familiar floresceu e manteve-se até hoje. Dentre as causas do sucesso, apontam-se a maior organização e cooperação entre produtores; a existência de sindicatos, associações e cooperativas de agricultores familiares; a assistência técnica e extensão rural; a utilização de insumos em maior quantidade e a disponibilidade de maior capital. 

De acordo com o Censo Agropecuário de 2006, a agricultura familiar dessa região obtém valor bruto da produção agrícola superior ao da agricultura não familiar: R$1.613,94 por hectare e R$792,78 por hectare, respectivamente. A principal vantagem dessa região está na existência de experiências bem sucedidas ligadas à agricultura familiar desde o tempo da colonização. Nos estados sulinos predominam as lavouras temporárias (algodão, alho, arroz, batata, cana-de-açúcar, cebola, feijão, fumo, mandioca, milho, soja, tomate, trigo); agricultores familiares também atuam na produção animal, em parceria com agroindústrias, na bovinocultura, na suinocultura, na avicultura e na ovinocultura. Em termos de grau de instrução têm-se os seguintes valores para a região Sul: ensino fundamental incompleto, 53,8%; ensino médio completo, 18,8%; ensino fundamental completo, 11,3%; ensino superior completo, 1,5% (dados da Epagri, 2017). 


Rio Grande do Sul

Embora a policultura seja a técnica mais recomendada para o agricultor familiar (principalmente nas áreas tropicais e subtropicais do país), conforme sugere o Programa Nacional de Apoio à Diversificação, criado em 2006, tal nem sempre é observado, principalmente na região Sul. Assim, a monocultura da soja consolidou-se como a principal fonte de renda da agricultura familiar no Rio Grande do Sul. Segundo o Censo de 2017, o valor bruto da produção da oleaginosa atingiu R$3,99 bilhões em propriedades familiares. Em relação ao censo anterior (2006), a renda da soja entre os pequenos agricultores cresceu 254%, motivada pela alta demanda chinesa pelo grão. Em 2006, a soja ficava atrás das culturas de fumo e de milho; presentemente, representa 20% do faturamento (R$20,2 bilhões). 

 — Tu crias vacas de leite, mas logo descobres que o que ganhas mal dá pra pagar o que elas comem — conjetura um pequeno agricultor gaúcho. E prosseguindo: 

— Mas com a soja eu já comprei até um trator com cabina refrigerada... A soja é agora o carro chefe daqui... Não quero outra coisa... 

Outra cultura da agricultura familiar que vem sendo plantada em monocultura, por décadas, nos estados sulinos, principalmente no Rio grande do Sul, é o tabaco. O tamanho médio das terras cultivadas é de 15 hectares. Na safra 2018/2019, 665 mil toneladas desse produto foram produzidas em 557 municípios dos três estados do Sul. Dentre os trinta municípios que mais produziram dezesseis são gaúchos, nove são catarinenses e cinco são paranaenses. 

Em volume de produção, o Brasil ocupa o terceiro lugar, depois da China e da Índia. Oitenta e cinco por cento da produção brasileira é exportada, rendendo ao país US$2,5 bilhões anuais. Cerca de 170 mil famílias na região Sul e mais de 20 mil no Nordeste ocupam-se em produzir fumo, o que garante para 30% delas não mais do que dois salários mínimos mensais, além dos graves danos à sua saúde (uso de agrotóxicos) e dos fumantes, o que tem diminuído a área com a cultura nas últimas décadas.

O módulo fiscal do Rio Grande do Sul varia de cinco a quarenta hectares o que leva muitos agricultores familiares a arrendarem terras de vizinhos (geralmente aposentados), pagando o arrendamento com parte da produção. Produtos tradicionais (leite, feijão, milho, fumo etc.) deixaram de ser produzidos sendo substituídos pela soja. Com isso, os pequenos agricultores estão comprando plantadeiras e tratores, permitindo colher de 60 a 80 sacos de soja por hectare (antes não passava de 50). A tecnologia ajudou, porém novos problemas surgiram como o uso intensivo de agrotóxicos. 


Santa Catarina

Nesse estado, o tamanho médio das unidades familiares é de 20 hectares, onde se cultivam tabaco estufa (53% na renda total das unidades de produção), bovinocultura 13%), soja (6%), tabaco galpão (5%), milho (4%) e cebola (3%). A produção de cebola ocorre na região do Alto Vale do Itajaí, tendo elevado rendimento. Por isso, agricultores familiares, que têm propriedades entre quatro e dez hectares, arrendam terras de vizinhos, utilizando mão de obra de parentes e métodos tradicionais de cooperação, como a troca de dias e de mutirão entre vizinhos (“pixurum”), na época do plantio e da colheita. Muitos, porém, contratam mão de obra temporária, pagando em média R$ 5,00 por milheiro plantado, o que equivale a R$ 125,00 por dia. Como a lei exige do empregador que o empregado temporário tenha instalações adequadas disponíveis (dormitório, banheiro etc.) e registro em carteira, tem havido multas e muita revolta por parte deles. 

Santa Catarina é o estado maior produtor de cebola do país (630 mil toneladas em 2017), com área de 20 mil hectares (36% da área plantada dessa hortaliça no Brasil); outros estados produtores são Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo; o Nordeste e a região do Cerrado estão ampliando seus plantios. 


Paraná

No Paraná, sobretudo no sudoeste, a exploração da terra sofreu alterações bruscas, primeiro com a migração de agricultores descendente de italianos e de alemães vindos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina na década de 1940 e, depois, com a modernização agrícola nos anos 1970. A vinda dos colonos gaúchos e catarinenses, em busca de novas terras provocou a eliminação do caboclo e de seu modo de vida itinerante. 

Até os anos 1970, o solo era cultivado em rodízio pelos colonos, mantendo-se uma área para lavoura, outra para pastagem e outra para pousio. Policultura era a regra, rotacionando-se as culturas: milho, para suínos; feijão preto, para os mercados de Curitiba e do Rio de Janeiro; trigo, para o consumo da família; e forragens (mandioca, alfafa, cana-de-açúcar e soja) para bovinos Ao longo dos anos, a diminuição do tempo de pousio fez acelerar a degradação dos solos. Para o colono, as inovações tecnológicas surgiram como alternativa à degradação edáfica e a consequente queda de produtividade. Aqueles que conseguiram se modernizar, graças aos créditos disponíveis apenas para os gêneros de exportação (soja e milho) puderam recuperar o solo e usar insumos artificiais, sementes selecionadas e ração industrial para o gado. A agricultura familiar só ganharia reconhecimento na década de 1990. 

A mecanização e a monocultura para o mercado externo não extinguiram o plantio diversificado para o consumo da família, conservando, assim, a tradição do colono; da mesma forma, a tração mecânica não eliminou a tração animal, que com ela convive. O Pronaf e políticas públicas permitiram que o agricultor familiar pudesse obter crédito para aprimorar suas técnicas e comercializar seus produtos (vendidos para cooperativas ou para grandes empresas). Na agricultura familiar do sudoeste paranaense predominam as lavouras temporárias: soja (34%), milho em grão (25%), milho forrageiro (12%), fumo (10%), além de trigo, feijão e mandioca. De produtos animais, o leite representa cerca de um quarto dos valores comercializados em 2014, com destaque para o Sistema de Cooperativas de Leite da Agricultura Familiar. Em menor escala, há a comercialização com a agroindústria, caso de aves e de suínos. 

 O modelo de monocultura para o pequeno produtor tem sido taxado de não sustentável, por não prover a família com o que precisa para o seu sustento básico, nem fornecer alimentos para o consumo interno. Com os plantios de soja e de milho o agricultor familiar consegue crédito mais fácil pelo Pronaf e conta com o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Estudo feito na Universidade do Paraná, em 2014, indica os seguintes dados quanto à diversificação das atividades rurais no estado: muito diversificadas, 5%; diversificadas, 46%; muito especializadas, 9%; especializadas, 37%. A afiliação à cooperativas não passava de 15% em 2006. A maioria (90%) reside na propriedade, é proprietária do imóvel (84%) e é alfabetizada (85%). 


Agricultura familiar na região Norte

Essa região concentra os menores números de estabelecimentos familiares do país. Em 2006, a região tinha 9,46% desses estabelecimentos, fato que se repete em 2017, com 480.575 propriedades (12,33%). 

Malgrado isso, a área com propriedades familiares dessa região representa quase um quarto (24,44%) da área brasileira ocupada por empreendimentos familiares. O tamanho médio dos estabelecimentos familiares ultrapassa 50 hectares, principalmente no sudeste da região. O tamanho das propriedades rurais nem sempre indica sua viabilidade econômica, razão de se ter criado o módulo fiscal, já tratado. 

Quanto aos maiores valores da produção em 2017, o Pará aparece em sétimo lugar entre os estados brasileiros (R$ 5.233,60 milhões) depois do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Em quatro dos sete estados da Amazônia, a agricultura familiar gera mais de 50% do valor da produção agropecuária total (no Pará, ela supera 70%). A pecuária é a principal atividade econômica agrícola da região Norte, seguida pelo cultivo de mandioca, feijão, arroz, milho, café e pecuária leiteira bovina. 

A riqueza da Amazônia não está no seu solo, que é pobre, mas sim na riqueza da biomassa da própria floresta e na sua biodiversidade. O desconhecimento desses fatos levou aos desacertos do passado (Fordlândia, no Pará, do milionário americano Henry Ford, com a monocultura adensada de seringueira, de 1927 a 1945; Projeto Jari, na fronteira do Para com Amapá, do bilionário americano Daniel Keith Ludwig, com plantio de uma essência florestal exótica para obtenção de celulose (Gmelina sp.), de 1967 a 1982). 

A agricultura na região Norte não pode ser monocultural, nem extensiva, pois a regra é a diversidade e a integração de atividades, daí o sucesso dos sistemas agrossilvipastoris, que tenho proposto desde os anos 1970, e que agora estão sendo difundidos pela Embrapa e outras instituições de pesquisa. As propriedades familiares e empresariais precisam adotar técnicas sustentáveis, preservando a Floresta Amazônica, por razões hoje bem conhecidas. A exploração extrativista complementa a economia regional e provém alimentos saudáveis e rentáveis (peixes, castanha-do-pará, açaí, cupuaçu, palmito, cacau etc.). A recuperação de pastagens degradadas permite as atividades pastoris sem que sejam necessários novos desmatamentos. 


Agricultura familiar no Centro-Oeste

Da mesma forma que a região Norte, o Centro-Oeste concentra os menores índices de estabelecimentos familiares do país, que era de 4,98% em 2006 e de 5,73% em 2017 (223.275 estabelecimentos). A área com propriedades familiares nessa região representa 12,32% da área brasileira. O tamanho médio dos estabelecimentos familiares ultrapassa 50 hectares, principalmente no norte da região. Compreendendo três diferentes biomas (Cerrado, Pantanal e Amazônia) a área de preservação permanente (APP) no Centro-Oeste mostrava-se ser a maior do país em 2006, registrando 21,63%, enquanto esse percentual para o Brasil era de 15,20%. 


Nota: No próximo artigo discorrerei sobre a modernização da agricultura familiar. 


Referência: 

PASCHOAL, A.D. História Ilustrada da Agricultura. Seis séculos de agricultura no Brasil. 

Edição comemorativa dos 120 anos da Esalq e dos 200 anos da Independência do Brasil. 550 p. aprox. Em revisão, para publicação.