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quinta-feira, 7 de outubro de 2021
Conheça 10 dicas para estudar melhor, segundo a ciência
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
7 Dicas para melhorar sua pesquisa e escrita acadêmica
Neste post vamos mostrar 7 dicas para melhorar sua pesquisa e escrita acadêmica e como desenvolver seu TCC, trabalho acadêmico ou tese.
1. Entenda sua pesquisa e seus objetivos
Meio óbvio, mas não a toa a número um. O mais importante de todos é entender o que está sendo feito, qual o impacto e o que você quer alcançar ao estudar determinado assunto e seus objetivos nessa caminhada.
É impressionante o número de pesquisadores que não sabem dizer com precisão qual sua pesquisa no momento. De fato, se a pessoa precisa consultar o orientador ou orientadora com frequência para assuntos simples sobre a pesquisa é sinal de que ainda não tem domínio o suficiente para dizer que a entendeu. Observe se você consegue explicar em poucas palavras o que está pesquisando para um leigo. Se sim, é provável que você tenha bem claro o que é sua pesquisa.
2. Tenha sempre uma pergunta em mente
O que move a pesquisa são as perguntas. Elas nos guiam e são o motivo pelo qual você começou a investigar um problema. Ter sempre uma pergunta em mente a ser respondida é uma ótima estratégia para manter sua pesquisa sempre em frente e também para não dispersar ao longo da jornada.
3. Divida seu objetivo principal em subetapas
Esta é uma dica que reúne elementos do primeiro e segundo tópico. De certo, dividir seu objetivo em várias perguntas é uma maneira muito eficiente de aumentar sua percepção de progresso e consequentemente sua motivação, organizar seu conteúdo a ser publicado e acelerar em direção à conclusão do trabalho.
Por exemplo, se o seu objetivo de pesquisa é responder se um tratamento é melhor que um controle, então você pode dividir esse macro em subetapas como:
- Coletar dados
- Organizar os dados
- Fazer análise exploratória
- Escrever a descrição e coleta
- Realizar comparação
- Revisar a estatística
- Escrever os resultados
- Revisão geral
- Etc
Veja como que a simples lista das etapas já dá nos dá uma satisfação de termos uma jornada muito bem definida e cada etapa completada é uma motivação extra para continuar.
4. Lide com uma coisa de cada vez
Ao dividir seu objetivo em subetapas como mencionado acima é normal querermos chegar logo no final e com isso atropelar etapas ou querer abraçar o mundo e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Além disso, querer fazer várias coisas ao mesmo tempo é sinal de que talvez seu objetivo não esteja muito claro para você ou que seu caminho não está bem definido.
Porém, não podemos confundir exploração com falta de foco. É comum no início de uma pesquisa termos várias frentes de exploração e materiais de leitura, mas tudo deve ser em prol do compreendimento da pesquisa para que suas etapas sejam bem definidas. Ademais, imprevistos provavelmente irão ocorrer e ao lidar com várias coisas ao mesmo tempo pode ser prejudicial para tentar solucionar um eventual problema.
5. Reserve um tempo para leitura e atualização
A leitura é fundamental no início da pesquisa pois familiariza com o problema e ajuda a ter ideias baseado no que já foi feito. Além disso, o hábito da leitura é diretamente relacionado com uma escrita melhor.
Mesmo após traçar seu objetivo e começar a pesquisa de fato, manter o hábito da leitura e procurar atualização sobre pesquisas em sua área é de extrema importância para que sua pesquisa se mantenha relevante ou até mesmo para evitar um possível plágio quando duas pessoas pesquisam o mesmo problema.
Para isso, recomendamos o Google Acadêmico e o ArXiv para procurar pelas palavras chaves relevantes à sua pesquisa e se manter em dia.
6. Trabalhe com autonomia
A dependência em excesso da orientadora ou orientador pode ser prejudicial para o andamento da pesquisa e também para sua motivação.
Ainda mais, ao tratar a pesquisa como sua propriedade intelectual e sentir que realmente está contribuindo para o desenvolvimento da mesma é percebido um aumento razoável de motivação e facilidade de desenvolvimento de pesquisa e escrita. Não importa o nível de pesquisa, se é um TCC, dissertação, tese ou artigo, nem se está na graduação, mestrado ou doutorado; deve-se ter em mente que o trabalho é seu e você é também uma contribuição muito importante para o seu sucesso.
7. Peça ajuda e converse sobre sua pesquisa
Ao se ver bloqueado em algum momento por algo que lhe impeça de seguir adiante em sua pesquisa não hesite em pedir ajuda. Não precisa ser necessariamente de sua orientação, mas uma simples conversa com seus colegas pode lhe esclarecer muito apenas por falar em voz alta.
Além disso, quando tiver a oportunidade converse sobre sua pesquisa. Mostre-a para amigos, colegas e familiares. Isso irá fortalecer ainda mais seu vínculo sadio com ela e manter um laço social importante para não deixar sua motivação cair ao longo da jornada.
Fonte: SOS Estatística: https://sosestatistica.com.br/7-dicas-para-melhorar-sua-pesquisa-e-escrita-academica/
sexta-feira, 17 de setembro de 2021
Novo prazo de empréstimos das bibliotecas USP
Os materiais emprestados poderão ser renovados de forma on-line por três vezes consecutivas, após a data de 04.10.2021, desde que o item não esteja atrasado ou reservado para outro usuário, antes de sua efetiva devolução ou renovação no Balcão da Biblioteca.
Em virtude da recomendação geral de minimizar os riscos inerentes à situação de pandemia, orientamos que os usuários entrem em contato por e-mail com a Biblioteca (biblioteca.esalq@usp.br), caso tenham dúvidas.
Biblioteca do LES estará fechada ao público até outubro de 2021
Em virtude da mudança do acervo, para novas instalações, a Biblioteca do Departamento de Economia, Administração e Sociologia estará fechada ao público até outubro de 2021.
Neste período, o acervo continuará disponível aos usuários por meio de agendamento no site da biblioteca.
Ressaltamos que os empréstimos/devoluções devem ser realizados exclusivamente na Biblioteca Central.
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
48 dicas de português para você acertar nos concursos e na vida
Existem competências obrigatórias para profissionais de qualquer área e o domínio do português é uma delas. Ainda assim, erros e dúvidas quanto ao uso correto da língua é uma constante, tanto nas relações pessoais quanto no mundo corporativo.
Erros frequentes refletem problemas na educação de base do brasileiro e muitas pessoas acabam ingressando no mercado de trabalho ou iniciando estudos para concursos públicos com muitas dúvidas.
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
Retorno às atividades presenciais para atendimento de empréstimos e devoluções
segunda-feira, 16 de agosto de 2021
Capacitação Mendeley: agenda aberta para os meses de agosto e setembro de 2021
Durante os meses de agosto e setembro de 2021, a Divisão de Biblioteca promoverá encontros online para capacitação em "Mendeley" para docentes, alunos e funcionários.
Mendeley é um gestor de referência gratuito, desenvolvido pela empresa Elsevier, disponibilizado aos usuários para gerenciar, compartilhar, ler, anotar e editar artigos científicos. Auxilia na formatação de trabalhos acadêmicos (citações e referências) de acordo com normas nacionais e internacionais, possuindo mais de 8.000 estilos de referências, incluindo ABNT.
Confira a agenda e faça sua inscrição em bit.ly/inscricao-mendeley.
Indicamos também materiais de apoio ao pesquisador:
- Videoaulas de Mendeley no nosso canal do Youtube;
- Tutorial Mendeley no site da biblioteca.
Ficou com dúvida? Fale conosco: referencia.esalq@usp.br.
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
Agricultura familiar - parte 7 - Modernização da agricultura familiar
Adilson D. Paschoal
Professor Titular-Sênior da Esalq-USP | E-mail: adpacho@usp.br
Modernização da agricultura familiar.
O tamanho limitado da propriedade familiar de certa forma dificulta a sua viabilidade econômica e a adoção de tecnologias modernas. A própria permanência das famílias no campo é outro problema, tanto por questões financeiras como por disponibilidade menor de financiamentos, falta de assistência técnica, aumento da mecanização e da contratação de serviços, e até mesmo de motivação para trabalharem com agricultura e pecuária, principalmente dos jovens, as cidades constituindo-se em maiores atrativos para eles. Com isso, as famílias rurais diminuem e envelhecem, como está ocorrendo no Rio Grande do Sul onde 82% dos trabalhadores rurais têm mais de 41 anos. Em 2017, quase a metade dos produtores familiares no Brasil tinha idade de 55 anos ou mais, 25% superavam os 65 anos e apenas 10% tinham menos de 35 anos.
A busca por trabalho fora da propriedade do agricultor tem diminuído tanto a mão de obra da família em seu próprio domínio como a média de pessoas ocupadas nos estabelecimentos familiares, a ponto de não poderem mais ser classificados nessa categoria. O Decreto no. 9.064, de 2017, exige que pelo menos a metade da renda dos produtores deva proceder de atividades realizadas na propriedade; isso fez com que apenas 3,9 milhões de estabelecimentos fossem incluídos na categoria familiar no Censo de 2017, deixando de fora cerca de 900 mil outras, que, assim, perderam os benefícios das políticas públicas. A maior diminuição ocorre nas novas fronteiras agrícolas (Matopiba, principalmente).
Políticas públicas para a agricultura familiar
Políticas públicas têm sido implantadas em apoio a essa modalidade de agricultura, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), de 1996, e o fortalecimento das ações de reforma agrária. A primeira dessas ações deu-se em 1985, através do Programa de Crédito Especial para Reforma Agrária (Procera), cuja finalidade era aumentar a produção e a produtividade da agricultura dos assentados da reforma agrária, de forma a possibilitar a inserção no mercado, a independência econômica do governo e a posse definitiva da terra.
Outras se seguiram: Apoio à Pequena Produção Familiar Rural (Prorural), do início da década de 1990, com a criação de linha de crédito rural específica para a agricultura familiar; Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Programa Fome Zero, cujo objetivo era incentivar a produção e facilitar a comercialização dos produtos através de hortas comunitárias, hortas escolares, feiras livres, mercados municipais, cozinhas comunitárias etc.
De máxima importância foi a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), de 2012, cujo objetivo era promover a transição das práticas agropecuárias convencionais para as práticas agroecológicas e fomentar a produção orgânica, tornando-as sustentáveis pelo uso racional dos recursos de produção e naturais, melhorando a qualidade de vida das pessoas pela oferta de alimentos saudáveis, livres de resíduos tóxicos. O projeto Banco Comunitário de Sementes (sementes crioulas) foi introduzido para garantir maior autonomia dos agricultores, reduzindo a dependência deles de insumos externos. A criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) em 2013 permitiu viabilizar e qualificar o serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) em todo o país, promovendo o desenvolvimento rural sustentável, sobretudo da agricultura familiar, convênios sendo firmados entre entidades públicas e empresas privadas com aplicação de R$ 80 milhões em 2020.
Outra iniciativa de grande importância do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (mais conhecido como Plano ABC de Baixa Emissão de Carbono). Criado em 9 de junho de 2020, o plano incentivava o uso de práticas agrícolas sustentáveis pelos agricultores, tais como: recuperação de pastagens degradadas; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema de Plantio Direto (SPD); fixação biológica de nitrogênio; florestas plantadas; tratamento de dejetos animais; e adaptação às mudanças climáticas.
Em nível internacional, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) instituiu 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar, com o objetivo de colocar essa modalidade no centro das políticas agrícola, social e ambiente, acabando com a miséria no campo.
Tecnologias apropriadas para a agricultura familiar
Os agricultores familiares atuais têm demonstrado maior preocupação com o uso racional dos recursos naturais e de produção, máxime nas regiões mais desenvolvidas e onde a assistência técnica é maior, daí o emprego de técnicas agroecológicas. Muitas delas vêm sendo pesquisadas e recomendadas por quase todas as unidades da Embrapa, assim como por universidades e institutos de pesquisa: adubos orgânicos e verdes; compostagem e vermicompostagem de resíduos agrícolas e industriais; rotação e consórcio de culturas; tecnologias brandas; mecanização e equipamentos adequados à unidade produtiva e às condições do agricultor familiar; cultivo mínimo do solo; cobertura, viva ou morta, permanente do solo para evitar erosão e seca; integração lavoura-pecuária-floresta; variedades produtivas e resistentes a pragas e doença; sementes crioulas e raças animais rústicas; criação animal a pasto; rodízio de pastagens; uso de produtos naturais e biológicos para o controle de pragas e doenças; homeopatia para tratamento veterinário entre outros. Alimentos e outros produtos assim produzidos têm maior valor agregado, alcançando maior preço, sobretudo quando rotulados com selos identificadores da procedência (agricultura familiar, orgânica, artesanal etc.).
Alguns resultados animadores têm sido obtidos pela Embrapa em suas várias unidades, no programa Agricultura Familiar e Populações Tradicionais, principalmente no Nordeste e no Centro-Oeste. Assim, a Embrapa Arroz e Feijão (Goiás) obteve média de 1.934Kg/ha de arroz das cultivares BRS Sertaneja e BRS Bonança em duas aldeias indígenas Bacairis, onde 22 hectares foram plantados, sendo a melhor colheita de 3.450kg/ha. Sistemas agroflorestais voltados para a agroenergia e segurança alimentar, produziram ótimos resultados em comunidades locais assim como o uso de tecnologias brandas e de saneamento como o uso de fossa séptica biodigestora (para tratar esgoto doméstico e gerar adubo orgânico); jardim filtrante; barragem subterrânea; irrigação por microaspersão; e barraginhas para a captação de água de chuva entre outras.
No sertão nordestino de vários estados, em comunidades de pequenos agricultores familiares, foi implantado pela Embrapa em 2010 o Sistema Agropecuário Sustentável (Siagros), com o plantio de palma forrageira (ou milho, feijão, girassol, guandu) entre fileiras da leguminosa Gliricidia sepium, planta capaz de resistir aos períodos de seca e de alimentar animais. No assentamento “Margarida Maria Alves”, localizado no agreste paraibano, os agricultores têm colhido 1.000 kg/ha de algodão colorido orgânico, em área de 15 hectares em 2013. O produto é processado em miniusina descaroçadora de algodão e prensa para enfardamento da fibra desenvolvidas pela Embrapa para os agricultores familiares.
Sementes biofortificadas, ou seja, sementes de cultivares melhoradas para serem mais nutritivas, têm diminuído a desnutrição e elevado a segurança alimentar no Nordeste. É o caso, por exemplo, dos feijões comuns BRS Pontal e BRS Agreste, e do feijão caupi BRS Xiquexique, desenvolvidos pela Embrapa, que têm maiores quantidades de ferro e zinco, sendo mais resistentes às pragas e doenças.
No Rio Grande do Sul, 390 famílias estão produzindo arroz orgânico em dez municípios, num total de 3.700 ha em 2021, vendendo o produto para o Grupo Gestor do Arroz Agroecológico, com acréscimo de 20% pela qualidade do alimento. Em 2020, o saco de 5 kg de arroz convencional era vendido por R$50,00 e o orgânico por R$27,50.
Referência:
PASCHOAL, A.D. História Ilustrada da Agricultura. Seis séculos de agricultura no Brasil. Edição comemorativa dos 120 anos da Esalq e dos 200 anos da Independência do Brasil. 550 p. aprox. Em revisão, para publicação.
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
Agricultura Familiar - Parte 6 - Agricultura Familiar nas regiões sul, norte e centro-oeste
Adilson D. Paschoal
Professor Titular-Sênior da Esalq-USP
Agricultura familiar na região Sul
A situação é bem diferente nos estados do Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina principalmente), onde a agricultura familiar teve origem nos primórdios da colonização e da ocupação territorial. Isso se deu primeiro com colonos vindo dos Açores (que falhou, assim como em São Paulo e em outros estados) e depois com imigrantes italianos e alemães, com quem a agricultura familiar floresceu e manteve-se até hoje. Dentre as causas do sucesso, apontam-se a maior organização e cooperação entre produtores; a existência de sindicatos, associações e cooperativas de agricultores familiares; a assistência técnica e extensão rural; a utilização de insumos em maior quantidade e a disponibilidade de maior capital.
De acordo com o Censo Agropecuário de 2006, a agricultura familiar dessa região obtém valor bruto da produção agrícola superior ao da agricultura não familiar: R$1.613,94 por hectare e R$792,78 por hectare, respectivamente. A principal vantagem dessa região está na existência de experiências bem sucedidas ligadas à agricultura familiar desde o tempo da colonização. Nos estados sulinos predominam as lavouras temporárias (algodão, alho, arroz, batata, cana-de-açúcar, cebola, feijão, fumo, mandioca, milho, soja, tomate, trigo); agricultores familiares também atuam na produção animal, em parceria com agroindústrias, na bovinocultura, na suinocultura, na avicultura e na ovinocultura. Em termos de grau de instrução têm-se os seguintes valores para a região Sul: ensino fundamental incompleto, 53,8%; ensino médio completo, 18,8%; ensino fundamental completo, 11,3%; ensino superior completo, 1,5% (dados da Epagri, 2017).
Rio Grande do Sul
Embora a policultura seja a técnica mais recomendada para o agricultor familiar (principalmente nas áreas tropicais e subtropicais do país), conforme sugere o Programa Nacional de Apoio à Diversificação, criado em 2006, tal nem sempre é observado, principalmente na região Sul. Assim, a monocultura da soja consolidou-se como a principal fonte de renda da agricultura familiar no Rio Grande do Sul. Segundo o Censo de 2017, o valor bruto da produção da oleaginosa atingiu R$3,99 bilhões em propriedades familiares. Em relação ao censo anterior (2006), a renda da soja entre os pequenos agricultores cresceu 254%, motivada pela alta demanda chinesa pelo grão. Em 2006, a soja ficava atrás das culturas de fumo e de milho; presentemente, representa 20% do faturamento (R$20,2 bilhões).
— Tu crias vacas de leite, mas logo descobres que o que ganhas mal dá pra pagar o que elas comem — conjetura um pequeno agricultor gaúcho. E prosseguindo:
— Mas com a soja eu já comprei até um trator com cabina refrigerada... A soja é agora o carro chefe daqui... Não quero outra coisa...
Outra cultura da agricultura familiar que vem sendo plantada em monocultura, por décadas, nos estados sulinos, principalmente no Rio grande do Sul, é o tabaco. O tamanho médio das terras cultivadas é de 15 hectares. Na safra 2018/2019, 665 mil toneladas desse produto foram produzidas em 557 municípios dos três estados do Sul. Dentre os trinta municípios que mais produziram dezesseis são gaúchos, nove são catarinenses e cinco são paranaenses.
Em volume de produção, o Brasil ocupa o terceiro lugar, depois da China e da Índia. Oitenta e cinco por cento da produção brasileira é exportada, rendendo ao país US$2,5 bilhões anuais. Cerca de 170 mil famílias na região Sul e mais de 20 mil no Nordeste ocupam-se em produzir fumo, o que garante para 30% delas não mais do que dois salários mínimos mensais, além dos graves danos à sua saúde (uso de agrotóxicos) e dos fumantes, o que tem diminuído a área com a cultura nas últimas décadas.
O módulo fiscal do Rio Grande do Sul varia de cinco a quarenta hectares o que leva muitos agricultores familiares a arrendarem terras de vizinhos (geralmente aposentados), pagando o arrendamento com parte da produção. Produtos tradicionais (leite, feijão, milho, fumo etc.) deixaram de ser produzidos sendo substituídos pela soja. Com isso, os pequenos agricultores estão comprando plantadeiras e tratores, permitindo colher de 60 a 80 sacos de soja por hectare (antes não passava de 50). A tecnologia ajudou, porém novos problemas surgiram como o uso intensivo de agrotóxicos.
Santa Catarina
Nesse estado, o tamanho médio das unidades familiares é de 20 hectares, onde se cultivam tabaco estufa (53% na renda total das unidades de produção), bovinocultura 13%), soja (6%), tabaco galpão (5%), milho (4%) e cebola (3%). A produção de cebola ocorre na região do Alto Vale do Itajaí, tendo elevado rendimento. Por isso, agricultores familiares, que têm propriedades entre quatro e dez hectares, arrendam terras de vizinhos, utilizando mão de obra de parentes e métodos tradicionais de cooperação, como a troca de dias e de mutirão entre vizinhos (“pixurum”), na época do plantio e da colheita. Muitos, porém, contratam mão de obra temporária, pagando em média R$ 5,00 por milheiro plantado, o que equivale a R$ 125,00 por dia. Como a lei exige do empregador que o empregado temporário tenha instalações adequadas disponíveis (dormitório, banheiro etc.) e registro em carteira, tem havido multas e muita revolta por parte deles.
Santa Catarina é o estado maior produtor de cebola do país (630 mil toneladas em 2017), com área de 20 mil hectares (36% da área plantada dessa hortaliça no Brasil); outros estados produtores são Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo; o Nordeste e a região do Cerrado estão ampliando seus plantios.
Paraná
No Paraná, sobretudo no sudoeste, a exploração da terra sofreu alterações bruscas, primeiro com a migração de agricultores descendente de italianos e de alemães vindos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina na década de 1940 e, depois, com a modernização agrícola nos anos 1970. A vinda dos colonos gaúchos e catarinenses, em busca de novas terras provocou a eliminação do caboclo e de seu modo de vida itinerante.
Até os anos 1970, o solo era cultivado em rodízio pelos colonos, mantendo-se uma área para lavoura, outra para pastagem e outra para pousio. Policultura era a regra, rotacionando-se as culturas: milho, para suínos; feijão preto, para os mercados de Curitiba e do Rio de Janeiro; trigo, para o consumo da família; e forragens (mandioca, alfafa, cana-de-açúcar e soja) para bovinos Ao longo dos anos, a diminuição do tempo de pousio fez acelerar a degradação dos solos. Para o colono, as inovações tecnológicas surgiram como alternativa à degradação edáfica e a consequente queda de produtividade. Aqueles que conseguiram se modernizar, graças aos créditos disponíveis apenas para os gêneros de exportação (soja e milho) puderam recuperar o solo e usar insumos artificiais, sementes selecionadas e ração industrial para o gado. A agricultura familiar só ganharia reconhecimento na década de 1990.
A mecanização e a monocultura para o mercado externo não extinguiram o plantio diversificado para o consumo da família, conservando, assim, a tradição do colono; da mesma forma, a tração mecânica não eliminou a tração animal, que com ela convive. O Pronaf e políticas públicas permitiram que o agricultor familiar pudesse obter crédito para aprimorar suas técnicas e comercializar seus produtos (vendidos para cooperativas ou para grandes empresas). Na agricultura familiar do sudoeste paranaense predominam as lavouras temporárias: soja (34%), milho em grão (25%), milho forrageiro (12%), fumo (10%), além de trigo, feijão e mandioca. De produtos animais, o leite representa cerca de um quarto dos valores comercializados em 2014, com destaque para o Sistema de Cooperativas de Leite da Agricultura Familiar. Em menor escala, há a comercialização com a agroindústria, caso de aves e de suínos.
O modelo de monocultura para o pequeno produtor tem sido taxado de não sustentável, por não prover a família com o que precisa para o seu sustento básico, nem fornecer alimentos para o consumo interno. Com os plantios de soja e de milho o agricultor familiar consegue crédito mais fácil pelo Pronaf e conta com o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Estudo feito na Universidade do Paraná, em 2014, indica os seguintes dados quanto à diversificação das atividades rurais no estado: muito diversificadas, 5%; diversificadas, 46%; muito especializadas, 9%; especializadas, 37%. A afiliação à cooperativas não passava de 15% em 2006. A maioria (90%) reside na propriedade, é proprietária do imóvel (84%) e é alfabetizada (85%).
Agricultura familiar na região Norte
Essa região concentra os menores números de estabelecimentos familiares do país. Em 2006, a região tinha 9,46% desses estabelecimentos, fato que se repete em 2017, com 480.575 propriedades (12,33%).
Malgrado isso, a área com propriedades familiares dessa região representa quase um quarto (24,44%) da área brasileira ocupada por empreendimentos familiares. O tamanho médio dos estabelecimentos familiares ultrapassa 50 hectares, principalmente no sudeste da região. O tamanho das propriedades rurais nem sempre indica sua viabilidade econômica, razão de se ter criado o módulo fiscal, já tratado.
Quanto aos maiores valores da produção em 2017, o Pará aparece em sétimo lugar entre os estados brasileiros (R$ 5.233,60 milhões) depois do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Em quatro dos sete estados da Amazônia, a agricultura familiar gera mais de 50% do valor da produção agropecuária total (no Pará, ela supera 70%). A pecuária é a principal atividade econômica agrícola da região Norte, seguida pelo cultivo de mandioca, feijão, arroz, milho, café e pecuária leiteira bovina.
A riqueza da Amazônia não está no seu solo, que é pobre, mas sim na riqueza da biomassa da própria floresta e na sua biodiversidade. O desconhecimento desses fatos levou aos desacertos do passado (Fordlândia, no Pará, do milionário americano Henry Ford, com a monocultura adensada de seringueira, de 1927 a 1945; Projeto Jari, na fronteira do Para com Amapá, do bilionário americano Daniel Keith Ludwig, com plantio de uma essência florestal exótica para obtenção de celulose (Gmelina sp.), de 1967 a 1982).
A agricultura na região Norte não pode ser monocultural, nem extensiva, pois a regra é a diversidade e a integração de atividades, daí o sucesso dos sistemas agrossilvipastoris, que tenho proposto desde os anos 1970, e que agora estão sendo difundidos pela Embrapa e outras instituições de pesquisa. As propriedades familiares e empresariais precisam adotar técnicas sustentáveis, preservando a Floresta Amazônica, por razões hoje bem conhecidas. A exploração extrativista complementa a economia regional e provém alimentos saudáveis e rentáveis (peixes, castanha-do-pará, açaí, cupuaçu, palmito, cacau etc.). A recuperação de pastagens degradadas permite as atividades pastoris sem que sejam necessários novos desmatamentos.
Agricultura familiar no Centro-Oeste
Da mesma forma que a região Norte, o Centro-Oeste concentra os menores índices de estabelecimentos familiares do país, que era de 4,98% em 2006 e de 5,73% em 2017 (223.275 estabelecimentos). A área com propriedades familiares nessa região representa 12,32% da área brasileira. O tamanho médio dos estabelecimentos familiares ultrapassa 50 hectares, principalmente no norte da região. Compreendendo três diferentes biomas (Cerrado, Pantanal e Amazônia) a área de preservação permanente (APP) no Centro-Oeste mostrava-se ser a maior do país em 2006, registrando 21,63%, enquanto esse percentual para o Brasil era de 15,20%.
Nota: No próximo artigo discorrerei sobre a modernização da agricultura familiar.
Referência:
PASCHOAL, A.D. História Ilustrada da Agricultura. Seis séculos de agricultura no Brasil.
Edição comemorativa dos 120 anos da Esalq e dos 200 anos da Independência do Brasil. 550 p. aprox. Em revisão, para publicação.











